Stablecoins dominam as compras de cripto feitas por brasileiros no exterior no 1º trimestre
Compras de criptoativos no exterior feitas por brasileiros somaram US$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, e praticamente todo esse valor foi direcionado a stablecoins. Os dados, divulgados pelo Banco Central em abril de 2026, mostram que as moedas digitais atreladas ao dólar responderam por US$ 6,8 bilhões do total, o equivalente a cerca de 98% das operações registradas.
O volume representa um crescimento de mais de 100% em relação ao mesmo período de 2025. Os números ganham peso quando combinados com outras medições do mercado. Em reportagem do Bitcoin.com News, assinada por Sergio Goschenko, os dados do Banco Central aparecem ao lado de levantamento da TRM Labs, segundo o qual o Brasil é o quinto maior mercado de criptomoedas do mundo, com volume de varejo de US$ 40,4 bilhões no trimestre.
A predominância das stablecoins tem explicação prática. Esses ativos vêm sendo usados como alternativa para pagamentos e remessas internacionais, permitindo em muitos casos evitar a incidência de tributos financeiros aplicados às operações tradicionais de câmbio. A reportagem cita, por exemplo, agências de viagens internacionais no país que passaram a adotar stablecoins em suas operações.
O tema também tem dimensão política. De acordo com a publicação, os planos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tributar as stablecoins foram suspensos, com o foco voltado para as eleições presidenciais. A decisão mantém, por ora, a vantagem fiscal que torna essas moedas atrativas para quem precisa enviar ou receber recursos do exterior.
O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, indicou que a qualidade das informações deve melhorar ao longo do ano, à medida que avança o processo regulatório do setor. "Estamos trabalhando com o cenário de que, ao longo do segundo semestre, vamos receber, processar e validar essas informações, e poderemos ter um conjunto mais robusto de dados sobre as transações do setor externo com criptoativos", afirmou.
Para o leitor brasileiro, os números confirmam uma mudança no perfil de uso das criptomoedas no país. Em vez de servir apenas como investimento especulativo, boa parte do volume está ligada a funções de pagamento e de proteção em dólar. Isso significa que decisões regulatórias e tributárias sobre stablecoins tendem a afetar não só investidores, mas também empresas e pessoas que usam esses ativos para viagens, importações e remessas.
Também vale acompanhar a evolução das estatísticas oficiais. Com a expectativa de dados mais completos a partir do segundo semestre de 2026, o Banco Central terá uma visão mais precisa do peso das criptomoedas no balanço de pagamentos, o que pode orientar futuras regras. Para quem usa stablecoins com frequência, a eventual retomada da discussão sobre tributação é um ponto de atenção, já que pode alterar o custo dessas operações.
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