Criador do CrossFire terá de pagar US$ 1,9 bilhão à ex-mulher no maior divórcio da história sul-coreana
Justiça sul-coreana determinou que Kwon Hyuk-bin, fundador da desenvolvedora de jogos Smilegate e criador do popular jogo de tiro CrossFire, pague à ex-mulher, Lee Hwa-jin, uma partilha de 2,55 trilhões de wons, o equivalente a US$ 1,9 bilhão. A decisão, proferida por um tribunal de Seul em 9 de setembro de 2026, é a maior divisão de bens já determinada em um divórcio na Coreia do Sul e mais que dobra o recorde anterior.
Além do valor, a sentença mexe com o controle da empresa. Kwon, de 52 anos, era dono de 100% da Smilegate, e 35% das ações da companhia passarão para Lee. Como resumiu a reportagem, "um estúdio construído sob o controle de um único dono agora será dividido por ordem judicial, com 35% saindo das mãos do fundador".
A história do casal e da empresa caminhou junto. Kwon e Lee se casaram em 2001. No ano seguinte, em junho de 2002, ele fundou a Smilegate, companhia de capital fechado com sede em Pangyo, na cidade de Seongnam. O pedido de divórcio foi apresentado por Lee em 2022, e o processo só chegou à decisão de primeira instância em setembro deste ano. Em 27 de maio de 2026, ela compareceu pessoalmente a uma audiência do caso.
A dimensão da partilha se explica pelo tamanho do negócio construído ao longo do casamento. Conforme a Bitcoin.com News, o CrossFire acumula US$ 14,7 bilhões em vendas globais, e as parcerias de distribuição, como a mantida com a chinesa Tencent, rendem mais de US$ 378 milhões por ano em royalties à Smilegate. A empresa também é dona do jogo de RPG Lost Ark e aparece como a quinta maior companhia de games da Coreia do Sul em faturamento.
A fortuna pessoal de Kwon é estimada em US$ 3 bilhões pela Bloomberg. Com a decisão, uma parcela expressiva desse patrimônio passa a ser destinada à ex-mulher. O empresário é conhecido por evitar a exposição pública e raramente aparece fora de eventos beneficentes, o que fez do processo uma rara ocasião em que detalhes de seu patrimônio vieram a público.
O valor fixado pelo tribunal supera com folga qualquer partilha anterior registrada no país. Até então, nenhuma decisão de divisão de bens em divórcio havia chegado à metade do montante agora determinado, o que coloca o caso de Kwon e Lee em um patamar próprio na Justiça sul-coreana.
A transferência de 35% das ações também representa uma mudança inédita para a Smilegate. Desde a fundação, em 2002, todo o capital da empresa esteve nas mãos de Kwon. Com a decisão, a companhia deixa de ter um único acionista, e uma fatia relevante passa a pertencer a Lee. A reportagem não informa se Kwon pretende recorrer nem detalha como e quando a transferência das ações será feita.
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