Derrotado no Senado, setor cripto leva o Clarity Act para a campanha eleitoral americana
Há duas semanas, o Clarity Act, projeto que cria uma estrutura de mercado para ativos digitais nos Estados Unidos, fracassou numa votação de procedimento no Senado. Agora, o setor cripto leva a disputa para as urnas. Em 30 de setembro, a organização Stand With Crypto anunciou apoio aos seus três primeiros candidatos ao Senado, de olho nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro.
A votação que travou o projeto ocorreu em 15 de setembro. A moção para encerrar o debate e avançar com o texto recebeu 49 votos favoráveis, todos de republicanos, e 50 contrários, incluindo quatro republicanos: Susan Collins, Josh Hawley, Jerry Moran e Thom Tillis. O democrata Chris Coons, de Delaware, não votou. Eram necessários 60 votos, ou três quintos do plenário, o que deixou o projeto 11 votos aquém.
Os escolhidos pela Stand With Crypto são Jon Husted, senador republicano de Ohio que tenta permanecer no cargo e votou a favor em 15 de setembro; Ashley Hinson, deputada republicana que disputa uma vaga aberta no Senado por Iowa; e Chris Pappas, deputado democrata que concorre por New Hampshire. Hinson votou a favor do Clarity Act e do Genius Act na Câmara em julho de 2025.
O efeito sobre a contagem de votos, porém, é limitado, como mostra a análise do crypto.news. No caso de Ohio, o apoio a Husted apenas protege um voto favorável que já existe. Em Iowa, a atual senadora Joni Ernst votou a favor, então uma vitória de Hinson apenas manteria o voto daquela cadeira. A única mudança possível está em New Hampshire, onde a senadora Jeanne Shaheen votou contra: se Pappas vencer e apoiar o projeto, o placar ganharia no máximo um voto. Mesmo nesse cenário, o total chegaria a 50, ainda 10 abaixo dos 60 necessários.
A própria organização não afirma que esses três apoios bastam para aprovar o projeto. A publicação lembra ainda que um senador pode defender uma estrutura federal para o mercado e, ao mesmo tempo, exigir termos mais rígidos. Entre os pontos em disputa estão as recompensas pagas a detentores de stablecoins e a concorrência com depósitos bancários, as obrigações de desenvolvedores de finanças descentralizadas, regras de ética sobre interesses financeiros de autoridades eleitas e a divisão de poderes entre a SEC e a CFTC.
O texto em jogo é o H.R. 3633, projeto de estrutura de mercado para ativos digitais já aprovado pela Câmara. Para virar lei, ele precisa passar pelo Senado, ter eventuais emendas aceitas pela Câmara e receber a sanção presidencial. Caso o atual Congresso não conclua esse caminho, o tema pode ficar para a próxima legislatura, que começa em janeiro.
A mudança de estratégia mostra que o setor passou a mirar a composição futura do Senado, e não apenas a negociação imediata com os parlamentares atuais. Os três nomes anunciados, porém, representam só o começo dessa frente, e a conta para chegar aos 60 votos continua difícil.
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