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Regulação

Projeto na Câmara impõe limites ao Drex para evitar vigilância e substituição do dinheiro em espécie

Imagem de abertura da publicação em Bitcoin.com News
Imagem reproduzida de Bitcoin.com News. Autoria da imagem não identificada na fonte.

Projeto de lei que cria salvaguardas para a futura moeda digital do Banco Central avançou na Câmara dos Deputados em junho de 2026. O texto, identificado como PL 4212/25, foi aprovado em versão modificada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e estabelece que o Drex não poderá substituir o dinheiro em papel, não poderá ser imposto como meio de pagamento obrigatório e não poderá servir como instrumento de vigilância política ou ideológica.

A proposta foi apresentada originalmente no ano anterior pela deputada Bia Kicis e ganhou nova redação nas mãos do relator, o deputado Lafayette de Andrada. Mesmo com a aprovação na comissão, o caminho ainda é longo: o texto precisa passar pelas duas Casas do Congresso e receber a sanção presidencial para virar lei.

Um dos trechos centrais é o artigo 5º, que obriga os órgãos responsáveis a garantir que a moeda digital não resulte em exclusão financeira, assegurando sempre alternativas acessíveis à população sem acesso a meios digitais. Na prática, o dispositivo busca impedir que pessoas sem smartphone, internet ou familiaridade com tecnologia fiquem à margem do sistema caso a moeda digital ganhe espaço.

Ao justificar a proposta, Bia Kicis afirmou que o Drex "pode trazer benefícios importantes, mas também levanta preocupações legítimas sobre privacidade, liberdade individual e segurança dos cidadãos". Em reportagem do Bitcoin.com News, o projeto é apresentado como uma resposta a temores, baseados em experiências internacionais, de que moedas digitais de bancos centrais possam permitir vigilância em massa e o monitoramento de transações.

O debate legislativo ocorre em um momento de revisão do próprio projeto do Banco Central. A autoridade monetária vem reavaliando o escopo do Drex por causa de preocupações com privacidade, e empresas como Microsoft e EY reduziram sua participação em iniciativas ligadas à plataforma. O cenário mostra que a moeda digital brasileira passou a enfrentar questionamentos técnicos e políticos antes mesmo de chegar ao público.

Para o leitor brasileiro, o projeto toca em pontos sensíveis do cotidiano. A garantia de que o papel-moeda continuará existindo e de que ninguém será obrigado a usar a versão digital preserva a liberdade de escolha sobre como pagar e guardar dinheiro. A proibição expressa de uso do Drex para vigilância política tenta responder a um receio comum em debates sobre moedas digitais estatais: o de que cada transação possa ser acompanhada pelo governo.

Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que se trata de uma proposta ainda em tramitação, sem efeito prático imediato. O texto pode sofrer novas alterações nas próximas etapas, e o próprio formato final do Drex segue indefinido enquanto o Banco Central reavalia o projeto. Para quem acompanha o mercado cripto, a discussão também reforça a diferença entre uma moeda digital emitida e controlada por um banco central e criptomoedas descentralizadas como o Bitcoin, que não dependem de uma autoridade emissora.

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Fonte: reportagem original publicada por Bitcoin.com News. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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