Banco Central e corretoras brasileiras vão trocar alertas em tempo real contra hackers
Bancos e corretoras de criptomoedas do país devem passar a compartilhar alertas de ameaças em tempo real por meio de um sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil em parceria com a empresa de segurança em blockchain Hypernative. A informação, publicada pelo Valor Econômico e repercutida em agosto de 2026, indica que a integração deveria começar em cerca de duas semanas, com as corretoras Foxbit e Mercado Bitcoin entre as participantes, depois de testes considerados bem-sucedidos.
A proposta é ajudar instituições financeiras a identificar ataques, reagir a atividades suspeitas e rastrear recursos roubados quando o dinheiro sai do sistema bancário e entra no mercado de criptoativos. Na prática, é uma ponte entre dois mundos que até aqui trocavam informações de forma lenta e fragmentada, o que dava aos criminosos tempo suficiente para dispersar os valores por várias carteiras e plataformas.
O projeto ganhou urgência depois do ataque cibernético de 2025 contra a infraestrutura da C&M Software, empresa que conecta instituições financeiras ao sistema de pagamentos. O roubo foi estimado entre US$ 140 milhões e US$ 180 milhões. Segundo a reportagem do crypto.news, os invasores converteram parte do dinheiro em Bitcoin, Ether e USDT por meio de corretoras brasileiras, justamente o caminho que o novo sistema pretende vigiar.
O investigador de blockchain conhecido como ZachXBT ajudou a rastrear entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões ligados ao caso. Autoridades e grandes plataformas, entre elas Binance, Bitso, Bybit e Tether, congelaram cerca de US$ 5 milhões em ativos associados aos recursos desviados. Até o início de julho de 2025, as autoridades haviam bloqueado aproximadamente US$ 50 milhões no total.
A implantação ainda depende do trabalho das associações do setor. Regina Pedroso, diretora-executiva da Associação Brasileira de Tokenização (ABToken), afirmou que "o desafio agora é implementar a ferramenta" e observou que as entidades precisarão adaptar seus sistemas para receber e distribuir os alertas entre os associados.
O sistema chega em meio a um pacote maior de mudanças. A partir de 1º de janeiro de 2027, prestadoras de serviços de ativos virtuais terão de aplicar uma retenção de 24 horas em transferências elegíveis acima de US$ 10 mil. Na mesma data passa a valer a exigência de prova diária de suficiência de ativos. Em julho de 2026, o Banco Central aprovou novos requisitos de capital e de gestão de risco, e as empresas do setor devem migrar para o segmento regulatório S4 até meados de 2028.
Para o investidor brasileiro, o efeito tende a ser duplo. De um lado, o cerco a recursos roubados pode reduzir o uso de corretoras locais como rota de lavagem e aumentar a confiança nas plataformas reguladas. De outro, regras como a retenção de 24 horas e o monitoramento mais próximo podem tornar algumas movimentações de maior valor mais lentas, algo que quem opera volumes altos precisará incluir no planejamento a partir de 2027.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
SEC abre caminho regulatório para gestoras guardarem criptomoedas de clientes
Regulação · Bitcoin Magazine
Criador do CrossFire terá de pagar US$ 1,9 bilhão à ex-mulher no maior divórcio da história sul-coreana
Regulação · Bitcoin.com News
Derrotado no Senado, setor cripto leva o Clarity Act para a campanha eleitoral americana
Regulação · crypto.news
Regras da CFTC para mercados de previsão chegam à Casa Branca, mas disputa com estados segue nos tribunais
Regulação · crypto.news
Juíza de Nova York barra pedidos de vítimas sobre 127 mil Bitcoins apreendidos pelo governo dos EUA
Regulação · CryptoSlate
Relatório do Senado aponta US$ 34,6 milhões em USDT que escaparam antes de bloqueios ligados ao Irã
Regulação · CryptoSlate