Alerta do Banco Central encarece stablecoins em 2% no Brasil e cria novo prêmio samba
Stablecoins negociadas no mercado brasileiro passaram a custar cerca de 2% a mais no início de julho de 2026, depois que o Banco Central enviou uma notificação a diversas instituições financeiras sobre o possível uso indevido de estruturas de investimento para importar criptoativos. O fenômeno, que descolou o preço local desses ativos da referência internacional, ganhou o apelido de "prêmio samba".
A comunicação do regulador explicou que determinadas atividades de fundos que compram cripto no exterior podem configurar operações de câmbio não autorizadas. O motivo é que esses veículos não possuem a autorização exigida para atuar como prestadores de serviços de ativos virtuais, as chamadas VASPs. Na interpretação do Banco Central, trazer criptoativos de mercados estrangeiros para o país por esses canais pode representar intermediação fora do marco regulatório vigente.
A reação do mercado foi imediata. Com o receio de que parte dos canais de liquidez usados para importar ativos digitais fosse interrompida, os participantes passaram a pagar mais pelas stablecoins disponíveis localmente, o que produziu a alta de aproximadamente 2%. A reportagem do Bitcoin.com News, assinada por Sergio Goschenko, tratou o movimento como um novo prêmio brasileiro sobre essas moedas atreladas ao dólar.
Diego Perez, vice-presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), procurou reduzir o peso do episódio. "Não foi um ajuste regulatório, uma regra nova, não foi algo abrangente. Foi um comunicado simultâneo a várias instituições financeiras, informando o entendimento do próprio banco", afirmou. A leitura dele é que não houve mudança formal nas normas, e sim uma sinalização de como o regulador enxerga essas operações.
Samir Kerbage, diretor de investimentos da gestora Hashdex, apontou quem sente o impacto de forma mais direta. "Quem sente são as mesas de operação, corretoras e gestoras que fizeram dessa arbitragem cambial sua principal vantagem competitiva", disse. A arbitragem mencionada se apoia justamente na diferença de preço entre o mercado externo e o doméstico, e fica mais difícil de executar quando os canais de importação passam a ser questionados pelo regulador.
O episódio ocorre em meio a discussões mais amplas no Congresso sobre a regulação das stablecoins e depois de o Banco Central ter proposto um período de retenção de 24 horas para remessas volumosas desses ativos. O conjunto de iniciativas mostra que a autoridade monetária tem olhado com atenção para o papel das moedas digitais atreladas ao dólar nos fluxos de câmbio do país.
Para o investidor brasileiro, o efeito aparece no preço. Quem compra stablecoins lastreadas em dólar em corretoras nacionais pode pagar acima da cotação de referência enquanto durar o descolamento, o que encarece operações de proteção cambial, remessas e pagamentos internacionais feitos com essas moedas. Também vale acompanhar os próximos passos do Banco Central, já que eventuais regras formais sobre o tema podem alterar novamente a dinâmica de preços no mercado local e a atuação das mesas que exploram essa diferença.
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