ABcripto pede suspensão de trava de 24 horas para stablecoins no Brasil
Entidade que reúne nomes como Binance, Coinbase, Crypto.com e Tether, a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) pediu ao Banco Central que suspenda a proposta de impor um atraso de 24 horas às remessas de stablecoins de valor elevado. A manifestação, divulgada no início de julho de 2026, classifica a medida como desproporcional e questiona se ela atingiria de fato os alvos que pretende alcançar.
A trava valeria para remessas em stablecoins acima de US$ 10 mil, que ficariam retidas por 24 horas antes de serem concluídas. Para justificar a proposta, o Banco Central citou um relatório da Chainalysis sobre crimes com criptomoedas, segundo o qual o volume de transações ilícitas atingiu recorde em 2025.
A presidente da ABcripto, Julia Rosin, argumenta que a medida "ficaria aquém de impactar os alvos desejados". O raciocínio da entidade é que criminosos evitam as instituições reguladas. Nas palavras da associação, os agentes ilícitos "se afastam dessas instituições e tendem a recorrer a plataformas sem verificação de identidade, mixers e pontes", ferramentas que dificultam o rastreamento e ficariam fora do alcance da nova regra.
O segundo ponto levantado é o prejuízo a quem usa stablecoins de forma legítima. Segundo a ABcripto, a retenção afetaria usuários que dependem de liquidação praticamente instantânea para aplicações sensíveis ao tempo, como pagamentos e operações que precisam ser concluídas no mesmo dia. Uma espera de 24 horas, nesse contexto, pode inviabilizar o uso do ativo.
O terceiro argumento é o do deslocamento de mercado. Em reportagem do Bitcoin.com News, a associação afirma que a política acabaria por "empurrar os interessados para longe dos canais regulados, prejudicando as instituições", levando usuários a buscar prestadores sem supervisão. Na visão da entidade, o efeito seria o oposto do pretendido: menos visibilidade para o regulador sobre os fluxos que deseja monitorar.
O debate ocorre em um momento de redefinição das regras. O Congresso discute uma regulamentação específica para stablecoins, e o Banco Central se prepara para reclassificar esses ativos como instrumentos monetários eletrônicos, e não mais como ativos digitais. A mudança de enquadramento tende a aproximar as stablecoins das normas aplicadas a meios de pagamento, com exigências mais rígidas.
Para o usuário brasileiro, a discussão tem efeito direto. Stablecoins atreladas ao dólar se tornaram uma ferramenta comum para remessas internacionais, proteção contra o câmbio e pagamentos a fornecedores no exterior. Se a trava for adotada como proposta, quem movimenta valores acima de US$ 10 mil precisará contar com um dia de espera. A posição da ABcripto é uma tentativa de convencer o regulador a buscar outra calibragem antes de a regra entrar em vigor, mas a decisão final cabe ao Banco Central.
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