Zcash despenca 12% e petróleo volta a subir, enquanto bitcoin se segura no piso dos US$ 83 mil
Várias altcoins registraram quedas expressivas na abertura desta terça-feira, 29 de setembro, enquanto o bitcoin conseguiu se manter em US$ 83.100, com perda inferior a 1%. Segundo o CoinDesk, a Zcash (ZEC) liderou as baixas entre os principais tokens, com recuo de 12%, para US$ 1.380, enquanto o petróleo emendou o segundo dia seguido de alta.
O quadro entre as grandes moedas foi misto. A Solana perdeu entre 3% e 4%, a Dogecoin caiu 3%, a BNB recuou 2% e a XRP cedeu cerca de 2%. Ether e TRX ficaram praticamente estáveis. Em movimentos mais bruscos, Uniswap (UNI) e Bitcoin Cash (BCH) caíram cerca de 10% e a Dash perdeu 7%. Na ponta positiva, The Graph (GRT) disparou 18% e Immutable (IMX) avançou perto de 10%. A capitalização total do mercado ficou em US$ 2,86 trilhões.
O pano de fundo macroeconômico explica boa parte da cautela. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos estava em 5,25%, alta de 1 ponto-base. O petróleo Brent subia mais de 1%, para cerca de US$ 107 o barril. O índice MSCI All Country World, que reúne ações de diversos países, caiu ao menor nível desde 18 de setembro, e os futuros do Nasdaq 100 recuavam 0,3%.
De acordo com o CoinDesk, três fatores pressionam o bitcoin. O primeiro é o rendimento garantido mais alto dos títulos do Tesouro, que reduz a atratividade de um ativo sem fluxo de caixa. O segundo é a alta do petróleo, que alimenta preocupações com inflação. O terceiro é o aumento das apostas de operadores em novas altas de juros do Federal Reserve. Mesmo assim, o índice de sentimento do mercado estava em 74 de 100, próximo da zona de ganância extrema.
Na avaliação de Alex Kuptsikevich, analista-chefe de mercado da FxPro, o bitcoin recuou para US$ 83.000 e está testando o limite inferior da faixa de consolidação da semana anterior. Para ele, um retorno sustentado a preços abaixo de US$ 80.000 seria um sinal importante de que o mercado não está pronto para subir por algum tempo. Por outro lado, o analista afirma que, se essa consolidação for seguida em breve por um novo impulso de alta, a principal criptomoeda poderia ir bem acima de US$ 90.000.
O próximo ponto de atenção no calendário é a quarta-feira, 30 de setembro, quando o Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de agosto. O indicador é observado de perto por quem tenta antecipar os próximos passos do Fed, já que uma inflação mais persistente pode reforçar a tese de juros mais altos por mais tempo.
Para o investidor brasileiro, que acompanha o bitcoin também em reais, vale lembrar que o movimento descrito pelo CoinDesk é cotado em dólar e reflete diretamente o humor dos mercados americanos de juros e energia.
Para quem acompanha o mercado, o retrato do dia é de um bitcoin relativamente resiliente em meio a um ambiente hostil, com a pressão concentrada em altcoins mais voláteis. A faixa entre US$ 80.000 e US$ 83.000 aparece como a referência a ser observada, e o dado de inflação americana tende a definir se a consolidação termina em nova alta ou em correção mais funda.
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