Outubro começa com histórico favorável ao Bitcoin, mas juros americanos testam o otimismo
Historicamente o mês mais forte para o Bitcoin, outubro começou com a criptomoeda cotada a US$ 83.823, alta modesta de 0,28% no dia. A virada de mês reacendeu entre investidores o apelido "Uptober", jogo de palavras em inglês que associa outubro à alta, mas o cenário de juros nos Estados Unidos impõe um teste ao otimismo.
O ponto de partida é bom. Setembro terminou com valorização de 6,33%, perto de um desempenho recorde para o mês. Ao longo de setembro, os ganhos chegaram a se aproximar de 7,33%, mas uma correção nos últimos dias reduziu o resultado final. O retrospecto de outubro explica a expectativa. Desde 2013, o mês registra retorno médio de cerca de 19,92% e mediana próxima de 14,71%. A sequência, porém, foi quebrada no ano passado: em outubro de 2025, o Bitcoin caiu 3,69%, apenas o terceiro outubro negativo nesse período.
Em reportagem do Decrypt, o principal obstáculo aparece na política monetária americana. O Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4%. Foi a primeira alta desde julho de 2023, aprovada por unanimidade. Ao mesmo tempo, o rendimento do título do Tesouro de dez anos subiu para 5,289%, a máxima em 52 semanas. Com títulos públicos pagando mais, o Bitcoin passa a competir com aplicações que oferecem rendimento real.
Os fundos negociados em bolsa ajudaram a sustentar o mercado nas últimas semanas. Os ETFs de Bitcoin à vista receberam cerca de US$ 3,08 bilhões em nove pregões consecutivos até 29 de setembro, mas a sequência foi interrompida no dia 30, com saídas de US$ 148,69 milhões. O patrimônio líquido total desses fundos supera US$ 101 bilhões.
Nos mercados de previsão da plataforma Myriad, os participantes atribuem cerca de 90% de chance de o Bitcoin atingir US$ 85 mil em outubro e 70% de chance de uma máxima de US$ 87.500. Apenas 7% apostam em um novo recorde histórico antes de 2027, o que mostra cautela quanto a movimentos mais amplos.
Os indicadores técnicos diários apontam tendência firme, ainda que o preço avance devagar. O índice direcional médio, o ADX, marca 41,5, nível que confirma uma tendência de alta conduzida pelos compradores. A média móvel exponencial de 50 dias está acima da de 200 dias, e o índice de força relativa, em 61,8, indica controle comprador sem atingir a zona que costuma provocar realização de lucros.
O calendário do mês deve definir o rumo. Estão previstos o relatório de emprego, a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto, os dados de inflação ao consumidor e uma nova decisão do Fed em 28 de outubro. Para o investidor brasileiro, que acompanha o Bitcoin também pela variação do câmbio, a sazonalidade positiva serve como referência histórica, não como garantia: o desempenho do mês dependerá em boa parte de como esses dados mexerem com as expectativas de juros nos Estados Unidos.
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