Fundos de Bitcoin nos EUA recuperam terreno e ficam a US$ 5 bilhões do pico histórico de captação
Depois de quase um ano de resgates e desconfiança, os ETFs de Bitcoin listados nos Estados Unidos estão perto de recuperar o patamar recorde de captação acumulada. De acordo com dados da Bloomberg Intelligence citados pelo CryptoSlate, as entradas líquidas acumuladas desde o lançamento desses fundos chegaram a cerca de US$ 57,7 bilhões no fim de setembro, aproximadamente US$ 5 bilhões abaixo da máxima histórica.
O pico havia sido registrado em 10 de outubro de 2025, quando o total acumulado atingiu cerca de US$ 62,8 bilhões. A partir dali, os resgates se acumularam por meses. Em meados de julho de 2026, cerca de US$ 12 bilhões haviam saído em relação ao recorde, levando o saldo para perto de US$ 50,9 bilhões. A retomada recente das compras reduziu boa parte dessa distância.
Setembro foi decisivo para essa recuperação. Os produtos captaram aproximadamente US$ 2,65 bilhões no mês, o segundo melhor resultado de 2026, atrás apenas de agosto, quando entraram US$ 3,52 bilhões. Com isso, o saldo de entradas líquidas no ano voltou a ficar positivo, em torno de US$ 930 milhões, depois de boa parte do período ter sido passada no vermelho.
O mês, porém, terminou com um sinal de pausa. Em 30 de setembro, os ETFs registraram a primeira saída diária em mais de duas semanas, com resgates líquidos de US$ 148,7 milhões. O movimento interrompeu uma sequência de nove dias de compras que havia somado cerca de US$ 3,08 bilhões. As saídas se concentraram no FBTC, da Fidelity, com US$ 125,6 milhões, seguido pelo BITB, da Bitwise, com US$ 13,6 milhões, e pelo IBIT, da BlackRock, com US$ 9,5 milhões. Os outros nove fundos listados não tiveram fluxo líquido no dia.
O analista de ETFs Eric Balchunas classificou a recuperação como "notável", considerando o período difícil de 11 meses enfrentado pelos fundos de Bitcoin. Nesse intervalo, os produtos sofreram com a pressão de juros mais altos e com um sentimento ainda negativo em relação ao mercado cripto. No início desta quinta-feira (1º), o Bitcoin era negociado perto de US$ 83.800.
A publicação avalia que a saída do último dia de setembro ainda não permite conclusões sobre a direção dos próximos fluxos. Como o resgate ficou concentrado no fundo da Fidelity, enquanto os demais grandes gestores registraram movimentos pequenos ou nulos, a interpretação do veículo é de que a pausa pode ser temporária, e não o início de uma nova onda de resgates.
Para o investidor brasileiro, os fluxos dos ETFs americanos funcionam como um termômetro da demanda institucional pelo Bitcoin. Entradas fortes tendem a sustentar o preço global da criptomoeda, que serve de referência para as cotações em reais nas corretoras locais. Acompanhar se esses fundos vão superar o recorde de US$ 62,8 bilhões pode ajudar a entender se o interesse de grandes investidores está de fato voltando de forma consistente.
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