XRP roubado da Bitget circula livremente e escapa de bloqueios
Cerca de US$ 83 milhões em XRP roubados da corretora Bitget foram movimentados pelo invasor, e a Ripple não tem como impedir essas transferências. A informação é de reportagem do CoinDesk assinada por Shaurya Malwa, publicada em 26 de setembro de 2026 e atualizada até 28 de setembro.
O ataque aconteceu numa quinta-feira e causou prejuízo estimado inicialmente em US$ 388 milhões. Quase 103 milhões de XRP foram levados e distribuídos entre cinco contas. Na sexta-feira, a Bitget revisou a perda para US$ 387,5 milhões, após incluir transferências de Zcash e TRON que não tinham aparecido na avaliação preliminar.
Até as 12h41 UTC de sábado, o invasor já havia retirado cerca de US$ 83 milhões em XRP de três carteiras de armazenamento. Duas contas que tinham 20 milhões de XRP cada ficaram com apenas cerca de 23 e 55 unidades. Uma terceira caiu para aproximadamente 5,8 milhões. Em um intervalo de oito horas, entre 4h32 e 12h41 UTC, o saldo somado das cinco contas originais passou de cerca de 70 milhões para perto de 49 milhões de tokens.
O motivo de a Ripple não poder agir está na própria arquitetura do XRP Ledger. A rede permite que empresas congelem tokens que elas mesmas emitem ali, mas esse poder não vale para o XRP, a moeda nativa. Ou seja, nem a Ripple, empresa mais associada ao ativo, consegue bloquear moedas controladas pelo atacante. Com isso, cerca de US$ 75 milhões em XRP roubado continuam em contas que não podem ser congeladas pelas regras atuais, e a chance de recuperação depende de para onde os recursos forem enviados.
Situação diferente ocorre com as stablecoins. Circle e Tether congelaram aproximadamente US$ 320 mil em USDC e USDT ligados ao ataque. Esses tokens têm mecanismos de lista de bloqueio embutidos, algo que não existe no XRP nativo. A comparação mostra um dilema recorrente no mercado cripto: ativos mais centralizados permitem intervenção em casos de crime, enquanto moedas nativas de redes descentralizadas são mais resistentes a bloqueios, para o bem e para o mal.
No sábado, o XRP era negociado perto de US$ 1,54, queda de cerca de 4% em 24 horas, mas ainda com alta semanal próxima de 9%. Nesse preço, o total de XRP roubado valia cerca de US$ 160 milhões, o equivalente a aproximadamente 4% dos US$ 4,4 bilhões em volume diário reportado da moeda. O dado ajuda a dimensionar o possível impacto caso o invasor tente vender tudo no mercado.
A Bitget afirmou que seu fundo de proteção cobre as perdas e que os saldos dos clientes não foram afetados. A corretora definiu uma retomada escalonada dos saques: Bitcoin em 28 de setembro, Ethereum em 29 de setembro, USDT em 30 de setembro e os demais tokens a partir de 2 de outubro.
Para quem investe a partir do Brasil em corretoras internacionais, o episódio reforça a importância de acompanhar os mecanismos de proteção de cada plataforma e de entender que, em caso de ataque, a recuperação de ativos nativos de blockchain pode ser muito difícil. A Bitget, pelo menos neste caso, assumiu o prejuízo com recursos próprios.
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