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Segurança

Ataques a empresas cripto já somam quase US$ 2,7 bilhões em 2026, e cinco casos concentram 59% das perdas

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Imagem reproduzida de CryptoSlate. Legenda da fonte: Image by CryptoSlate

Quase US$ 2,7 bilhões foram perdidos por empresas e usuários de criptomoedas em incidentes de segurança nos nove primeiros meses de 2026, e uma fatia desproporcional desse valor está concentrada em poucos ataques. O levantamento é da CertiK, empresa de segurança em blockchain, que registrou 658 incidentes até setembro. Do total roubado, US$ 420,4 milhões foram congelados ou devolvidos, o que reduz as perdas ajustadas para cerca de US$ 2,26 bilhões, com média de US$ 4,1 milhões por caso.

Setembro foi o mês mais caro do ano, com US$ 766,5 milhões em perdas, acima dos US$ 651,3 milhões de abril. Dois episódios explicam quase tudo: o ataque à corretora Bitget, de US$ 387,5 milhões, e o incidente na Liquid Network, de US$ 318,7 milhões. Juntos, somam cerca de US$ 706 milhões, mais de um quarto de todas as perdas brutas monitoradas pela CertiK no ano.

De acordo com reportagem do CryptoSlate, a lista dos maiores ataques de 2026 é completada por KelpDAO, com US$ 291,3 milhões, Drift Protocol, com US$ 285,3 milhões, e uma vítima não identificada, com US$ 284,8 milhões. Os cinco maiores casos somam US$ 1,57 bilhão, quase 59% dos US$ 2,68 bilhões registrados até agora. Só a Bitget responde por cerca de 14,4% das perdas do ano. Incidentes envolvendo várias blockchains geraram os maiores prejuízos, enquanto o Ethereum teve o maior número de ocorrências.

A capacidade de recuperar recursos melhorou. A distância entre perdas brutas e ajustadas cresceu porque corretoras, emissores de stablecoins, empresas de segurança e operadores de blockchain passaram a identificar e bloquear fundos roubados com mais rapidez. A Liquid Network, por exemplo, recuperou boa parte dos ativos comprometidos. Isso não elimina os custos imediatos de suspender serviços e cobrir saldos de clientes.

O risco também saiu do ambiente digital. A CertiK contou 52 "ataques de chave inglesa", nome dado às agressões físicas para forçar vítimas a entregar criptomoedas, no primeiro semestre de 2026, contra 39 no mesmo período de 2025. O valor envolvido saltou de US$ 10,5 milhões para US$ 124,2 milhões, e a média por caso subiu de cerca de US$ 270 mil para aproximadamente US$ 2,4 milhões.

A Coreia do Norte aparece no centro do problema. A Elliptic, empresa de análise de blockchain, atribui a hackers ligados ao país mais de US$ 1 bilhão roubado em 2026, em mais de 51 incidentes suspeitos, o equivalente a mais de 37% das perdas contabilizadas pela CertiK. A firma considera muito provável a ligação do ataque à Bitget com o regime, com base em padrões de lavagem de dinheiro e infraestrutura compartilhada com ataques anteriores, e já havia atribuído ao país o caso Drift, de cerca de US$ 286 milhões. A Elliptic estima que grupos norte-coreanos roubaram mais de US$ 6 bilhões em cripto desde 2017, e governos afirmam que os recursos financiam programas nucleares e de mísseis. O maior roubo confirmado da história, de cerca de US$ 1,46 bilhão na Bybit em fevereiro de 2025, foi atribuído pelo FBI ao país.

Para quem investe a partir do Brasil, os números ajudam a dimensionar um risco que vai além da oscilação de preços. Plataformas grandes também podem ser atacadas, e o crescimento das agressões físicas mostra que a exposição pública de patrimônio em criptomoedas tem consequências fora da internet.

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Fonte: reportagem original publicada por CryptoSlate. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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