Falsos robôs de IA e grupos de WhatsApp: SEC processa quatro empresas por golpe de US$ 15,3 milhões
Grupos de WhatsApp com supostos especialistas em investimentos, sinais de negociação atribuídos à inteligência artificial e certificados falsos da própria reguladora estão no centro de uma nova ação da SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. Segundo o Bitcoin.com News, o órgão acusou quatro entidades de aplicar dois golpes com criptoativos que, juntos, teriam arrecadado mais de US$ 15,3 milhões.
As empresas processadas são Cryptoaiml Ltd., Cryptoaiml Capital Foundation, TSAI Pro Ltd. e TSAI Capital Foundation. De acordo com a SEC, o primeiro esquema, ligado à Cryptoaiml, teria levado cerca de US$ 12,5 milhões, e o segundo, associado à TSAI, aproximadamente US$ 2,8 milhões. As informações constam das acusações e ainda serão analisadas na Justiça.
No caso da Cryptoaiml, que teria operado entre agosto de 2024 e março de 2025, os responsáveis se passavam por profissionais de investimento em grupos de WhatsApp e compartilhavam sinais de negociação supostamente gerados por inteligência artificial. Os investidores eram direcionados a plataformas que exibiam lucros fictícios, sem qualquer operação real por trás. Quando alguém pedia para sacar, era cobrado de taxas antecipadas. O site do grupo ainda exibia capturas de tela adulteradas de formulários Form D.
O esquema da TSAI, ativo entre setembro de 2024 e março de 2025, promovia robôs de negociação com IA que não existiam e prometia retornos garantidos. O recrutamento acontecia pelo WhatsApp, pelo Facebook e pelo site da empresa. Os participantes eram convencidos de que poderiam ganhar dinheiro alugando os robôs e trazendo novos investidores. A página exibia certificados falsos da SEC que citavam registros inventados.
Os dois grupos, segundo a acusação, usavam a suposta regulação pela SEC para ganhar credibilidade. O órgão lembra que o envio de um Form D não representa aprovação da comissão. A SEC retirou de seu site os formulários apresentados pelas entidades.
O diretor da Divisão de Fiscalização da SEC, David Woodcock, afirmou que, embora os métodos variassem, o objetivo era o mesmo: prometer retornos desproporcionais a potenciais investidores, dizer que eram entidades legítimas reguladas pela SEC e, depois, roubar o dinheiro deles.
A combinação de aplicativos de mensagem, promessa de ganhos com inteligência artificial e falsa chancela regulatória é um roteiro que também circula no Brasil, onde grupos de WhatsApp e Telegram oferecem robôs de cripto com rendimento garantido. Para o investidor brasileiro, o caso serve de alerta concreto: registro em órgão regulador não equivale a aval de investimento, e plataformas que cobram taxa para liberar saque costumam indicar fraude.
Para quem acompanha o mercado, a ação mostra que reguladores estão atentos ao uso do termo inteligência artificial como isca em golpes com criptoativos. A tendência é de mais processos desse tipo, e de maior pressão para que investidores verifiquem a origem de promessas de lucro antes de colocar dinheiro em qualquer plataforma.
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