Justiça britânica obriga golpistas de cripto a devolver 55% do prejuízo de 65 investidores
Dois condenados por um golpe de investimentos em criptomoedas no Reino Unido terão de devolver £ 851.402,27 às vítimas, segundo decisão de 28/09/2026 noticiada pelo Bitcoin.com News. A ordem de confisco atinge Raymondip Bedi e Patrick Mavanga, que já cumprem pena de prisão desde julho de 2025.
Bedi foi condenado a 5 anos e 4 meses de prisão e agora deve pagar £ 603.404,28. Mavanga recebeu pena de 6 anos e 6 meses e foi obrigado a ressarcir £ 247.997,99. Os dois têm três meses para quitar os valores. Se não pagarem, a punição cresce: Bedi terá mais 5 anos somados à sentença, e Mavanga, mais 2 anos.
O esquema fez pelo menos 65 vítimas, com prejuízo total de £ 1.541.799. O montante que deve ser recuperado com a decisão equivale a cerca de 55% das perdas. A Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, a FCA, ficará responsável por distribuir os recursos às vítimas identificadas, dentro do processo de confisco previsto na Lei de Produtos do Crime de 2002.
A fraude funcionou entre fevereiro de 2017 e junho de 2019. Os responsáveis faziam ligações não solicitadas para consumidores e ofereciam oportunidades falsas de investimento em criptomoedas. Para dar aparência de legitimidade, usavam empresas como CCX Capital e Astaria Group LLP e mantinham sites com visual profissional que prometiam retornos elevados.
Na esfera criminal, Bedi se declarou culpado de conspiração para fraudar, conspiração para violar a Lei de Serviços e Mercados Financeiros de 2000 e lavagem de dinheiro. Mavanga admitiu conspiração para fraudar, conspiração para violar a mesma lei e posse de documentos de identificação falsos.
O caso é um exemplo de como autoridades financeiras vêm usando ferramentas de confisco para recuperar parte do dinheiro de vítimas de golpes com criptoativos, algo que costuma ser difícil quando os recursos já foram dispersos. Mesmo assim, a recuperação é parcial: quase metade do prejuízo segue sem perspectiva de devolução, o que mostra o custo duradouro desse tipo de fraude para quem cai nela.
O roteiro do golpe, com ligações frias, promessas de lucro alto e empresas de fachada, é o mesmo encontrado em muitos países, inclusive no Brasil, onde falsas plataformas de investimento em cripto continuam fazendo vítimas. A lição prática vale para qualquer investidor: ofertas feitas por telefone, sem pedido prévio, e com retorno garantido são sinal de alerta, e é recomendável verificar se a empresa tem autorização do regulador local antes de transferir qualquer valor.
Para quem acompanha o mercado, a decisão reforça que o cerco regulatório a golpes com criptoativos não termina na condenação. O foco crescente em ressarcimento indica que autoridades querem tornar esse tipo de crime menos lucrativo, o que, ao longo do tempo, tende a contribuir para um ambiente mais confiável para o setor.
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