Vinteum quer formar e financiar desenvolvedores de bitcoin no Brasil e na América Latina
Formar programadores capazes de trabalhar no código do bitcoin é a proposta da Vinteum, organização apresentada em agosto de 2022 como um centro de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos voltado a apoiar desenvolvedores no Brasil e no restante da América Latina. A entidade pretende treinar e financiar programadores de código aberto dedicados ao bitcoin e à Lightning Network, a rede de pagamentos rápidos construída sobre a criptomoeda.
Por trás da iniciativa estão nomes com experiência no ecossistema. Lucas Ferreira, desenvolvedor da Lightning Labs, é um dos cofundadores. O outro é André Neves, cofundador da Zebedee, empresa de jogos baseados em bitcoin, que participou em 2018 do programa sobre a Lightning Network da Chaincode Labs. O primeiro bolsista é Bruno Ely Garcia, que já havia recebido apoio da Brink, revisou a atualização Taproot e assume a função de diretor de educação.
A justificativa para a criação da Vinteum aparece em uma frase citada pela reportagem do Bitcoinist: o mundo precisa da organização porque "precisamos de desenvolvedores de todas as partes do mundo para construir esse dinheiro global nativo da internet". A ideia é descentralizar também o trabalho técnico, que historicamente se concentra em poucos países.
Na área educacional, a Vinteum adaptou para desenvolvedores de língua portuguesa o currículo dos seminários da Chaincode Labs e passou a receber inscrições para turmas. A barreira do idioma é um obstáculo relevante para muitos programadores brasileiros interessados em contribuir com projetos de código aberto, e o material em português busca reduzir essa distância.
O financiamento vem de doações filantrópicas de John Pfeffer, Wences Casares, Sebastian Serrano, da Okcoin e da Human Rights Foundation, com apoio adicional da Casa, empresa de custódia de bitcoin, e da Voltage, que oferece infraestrutura para a Lightning Network. A organização se inspira no modelo "10 por 10", proposto por Steve Lee, que prevê "10 organizações de 10 pessoas, em que cada organização é independente".
Para o leitor brasileiro, a iniciativa abre uma porta para uma carreira ainda pouco explorada no país: o desenvolvimento do protocolo do bitcoin em si, e não apenas de aplicativos ou serviços construídos sobre ele. Bolsas e formação em português podem atrair talentos locais para projetos com alcance global, fortalecendo a presença da América Latina no ecossistema técnico, hoje concentrado em outras regiões.
Na data da matéria, o valor de mercado do bitcoin estava em torno de US$ 465 bilhões. O surgimento da Vinteum mostra que a região começa a olhar para além do investimento e do uso da criptomoeda, apostando também na formação de quem mantém e aprimora a tecnologia que sustenta a rede.
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