Vendedores pagam para manter apostas contra o bitcoin enquanto alavancagem cai ao menor nível do ano
O termômetro mais fiel do mercado de bitcoin agora está nos derivativos, não na cotação. Segundo análise publicada pelo CoinDesk nesta segunda-feira, 28/09/2026, e assinada por James Van Straten, a cautela vem crescendo entre os operadores, mesmo com o preço ainda bem acima das mínimas registradas no verão do hemisfério norte.
O bitcoin foi negociado a US$ 82.800, queda de mais de 2% em 24 horas. Ainda assim, a moeda está cerca de US$ 20.000 acima da mínima do ciclo de verão e foi, de acordo com o texto, o ativo de melhor desempenho no terceiro trimestre, com valorização de 40%. O recuo ocorreu um dia depois de o presidente Donald Trump se recusar a descartar novos ataques ao Irã antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O sinal mais claro de cautela está no interesse em aberto dos contratos futuros, ou seja, o volume de posições ainda não encerradas. Pelos dados da Coinglass citados na reportagem, esse indicador está em 652 mil BTC, um dos níveis mais baixos do ano, bem distante do pico de cerca de 800 mil BTC observado no início de 2026. Na leitura do CoinDesk, há uma saída de capital do mercado de futuros e a procura por exposição alavancada segue fraca.
Outro ponto chamou a atenção: as taxas de financiamento dos contratos perpétuos voltaram a ficar negativas, com média de -0,3% nas principais corretoras. Quando isso acontece, quem está vendido paga a quem está comprado para manter a posição aberta. Segundo o texto, são os vendedores a descoberto que estão perseguindo a operação de forma agressiva e aceitando arcar com esse custo. O capital que permanece no mercado, portanto, estaria inclinado para apostas de queda.
O cenário macroeconômico ajuda a explicar parte desse comportamento. O índice do dólar (DXY) ficou acima de 101, o rendimento do título americano de 10 anos passou de 5,2% e o de 30 anos superou 5,51%. O ETF TLT, que reúne títulos de longo prazo do Tesouro americano, caiu para perto de US$ 79, a mínima histórica. Na avaliação apresentada pelo CoinDesk, juros mais altos tornam ativos que pagam rendimento mais atraentes do que bitcoin e ouro, que não geram fluxo de caixa.
O ouro, aliás, também sofreu: foi cotado perto de US$ 4.150 a onça, recuo de 3% em 24 horas. Com isso, a relação entre o preço do bitcoin e o do ouro se aproxima de 20, algo que, segundo o texto, pode se tornar positivo para o bitcoin no acumulado do ano. Vale notar que a análise se apoia apenas em métricas de mercado, sem comentários de analistas identificados.
Para quem acompanha o mercado, o retrato é de um bitcoin sustentado principalmente por compras à vista, com pouca alavancagem e com os especuladores de derivativos mais pessimistas do que o próprio preço sugere. Esse tipo de desequilíbrio costuma ser observado com atenção, porque posições vendidas concentradas podem ampliar movimentos em qualquer direção quando o cenário macro muda, especialmente com os juros americanos em patamares tão elevados.
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