Trump admite possibilidade de novos ataques ao Irã e mercados de risco abrem a semana no vermelho
Bastou Donald Trump evitar descartar novas ofensivas militares contra o Irã para que o bitcoin e os futuros de ações americanas iniciassem a semana em queda. Segundo o CoinDesk, o bitcoin recuava 1,3% e era cotado a US$ 83.324 às 03h30 (UTC) de segunda-feira, 28/09/2026. Ether, XRP e Solana registravam perdas semelhantes, e os futuros do Nasdaq caíam 0,7%.
No domingo, Trump disse esperar que a guerra com o Irã termine "muito em breve", mas não afastou a possibilidade de novos ataques antes das eleições de meio de mandato de novembro. Questionado se a ação militar poderia ser retomada, respondeu: "Não quero dizer isso. Não quero dizer isso. Quer dizer, é possível, mas eu simplesmente não quero dizer isso." Depois, afirmou que os Estados Unidos vencerão a guerra por meio de pressão militar e econômica.
Do outro lado, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país está "totalmente preparado" para um conflito renovado e alertou para uma possível "guerra do apocalipse". Na Assembleia Geral da ONU, o Irã havia proposto reabrir o Estreito de Ormuz por sete dias, pausar as hostilidades e, em seguida, iniciar negociações mais amplas. Trump rejeitou a proposta, argumentando que o Irã busca um acordo porque está sob forte pressão, e reiterou que o país não pode ter arma nuclear.
O petróleo reagiu. O WTI subiu cerca de 1%, para US$ 93,28 o barril, e o Brent teve alta parecida. De acordo com a reportagem, o conflito, iniciado em março de 2026, reforçou os temores de inflação e empurrou para cima os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O papel de 10 anos acumulou alta de 127 pontos-base, para 5,20%, o maior nível desde 2007.
Apesar do tropeço, o desempenho recente do bitcoin segue expressivo. A moeda caiu no começo do ano, mas se recuperou com força no terceiro trimestre, com valorização de 42% em três meses, resultado superior ao do Nasdaq e ao do ouro no mesmo período, segundo o texto.
Na avaliação de Vikram Subburaj, CEO da corretora Giottus, a região entre US$ 83.800 e US$ 84.000 funciona como zona de suporte importante, enquanto a resistência imediata está entre US$ 85.000 e US$ 85.800. Para ele, seria prudente evitar perseguir a alta nos níveis atuais, e a recomendação do executivo é limitar a alavancagem e fazer entradas escalonadas. Trata-se de uma leitura técnica do analista, e não de uma previsão confirmada.
A agenda econômica dos Estados Unidos na semana também está no radar. Segundo o CoinDesk, os dados de inflação PCE, o índice ISM da indústria e o relatório de empregos (payroll) podem influenciar os mercados nos próximos dias.
Para quem acompanha o mercado, o episódio mostra como o bitcoin continua se comportando como ativo de risco, sensível ao noticiário geopolítico, ao petróleo e aos juros americanos. Para o investidor brasileiro, esse ambiente costuma vir acompanhado de oscilações no dólar, o que afeta diretamente a cotação da moeda digital em reais nas corretoras locais.
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