Tombo raro do ouro com juros acima de 5% acende alerta sobre o bitcoin, ainda sustentado por ETFs
Poucas vezes nos últimos vinte anos o ouro caiu tanto em um único pregão. Na segunda-feira, 28 de setembro, o metal recuou 3,4%, pressionado pela disparada dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pela aposta crescente em mais uma alta de juros do Federal Reserve. De acordo com o crypto.news, o bitcoin sofreu com os mesmos ventos macroeconômicos e escorregou para perto de US$ 83.000.
O caráter excepcional do movimento foi medido pela Kobeissi Letter com base nas variações diárias desde 2006. Nesse período, o ouro teve alta média de 0,05% ao dia, com desvio padrão de 1,19%. A queda de segunda-feira resultou em um Z-score de -2,90, perto de três desvios padrão abaixo da média. No intradia, o ouro à vista chegou a cair 4%, para US$ 4.110,55 a onça, menor nível em mais de sete semanas, antes de se recuperar para US$ 4.136,81. Os contratos futuros nos Estados Unidos fecharam em baixa de 3,5%, a US$ 4.168,40. A prata perdeu cerca de 4,5%, a platina 2,8% e o paládio 3,6%.
O gatilho veio do mercado de renda fixa. O rendimento do título de 10 anos chegou a 5,23% em 28 de setembro, o maior desde 2007; o de 30 anos tocou 5,54% e o de 2 anos subiu para cerca de 4,92%. Juros mais altos tornam os títulos públicos mais atraentes frente a ativos que não pagam rendimento, como ouro e bitcoin, e o dólar mais forte encarece o metal para compradores estrangeiros. O petróleo reforçou a pressão: o Brent passou de US$ 100 o barril depois que o presidente Donald Trump rejeitou a proposta do Irã de uma trégua de sete dias e de reabertura do Estreito de Ormuz. Em 16 de setembro, o Fed já havia elevado os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4%.
O bitcoin operava perto de US$ 83.000 em 29 de setembro, cerca de 5% abaixo da máxima de aproximadamente US$ 87.400 registrada em 21 de setembro. Na segunda-feira, chegou a US$ 82.600 antes de se recuperar. Segundo a publicação, os juros vêm sendo um fator recorrente de pressão: em 24 de setembro, com o título de 10 anos em 5,2%, o ativo recuou de mais de US$ 87.000 para perto de US$ 84.000.
O crypto.news ressalta que a queda do ouro não obriga o bitcoin a seguir o mesmo caminho, mas os dois estão expostos ao mesmo ambiente de juros. No mesmo dia, o S&P 500 caiu 0,8%, o Nasdaq Composite recuou 0,9% e o Dow Jones perdeu 0,7%.
O contrapeso está nos fundos negociados em bolsa. Os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos captaram US$ 2,39 bilhões líquidos na semana de 21 a 25 de setembro, com saldo positivo em todos os cinco pregões. O maior aporte, de US$ 999 milhões, veio em 21 de setembro, seguido de US$ 714,7 milhões no dia 22. O IBIT, da BlackRock, respondeu por cerca de US$ 1,16 bilhão. Desde agosto, esses fundos somam cerca de US$ 5,3 bilhões em entradas, o que levou o saldo de 2026 de volta ao campo positivo depois de ficar cerca de US$ 5,8 bilhões negativo em julho.
Para quem acompanha o mercado, o episódio mostra como ouro e bitcoin estão, neste momento, sob a mesma lente dos juros americanos. Os próximos dados de vagas de emprego, inflação PCE e mercado de trabalho, além da permanência ou não do rendimento de 10 anos acima de 5%, devem pesar na direção da cotação, enquanto a demanda dos ETFs funciona como amortecedor.
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