Tether e Adecoagro vão usar energia renovável excedente para minerar Bitcoin no Brasil
Energia eólica e solar que sobraria sem comprador passará a alimentar máquinas de mineração de Bitcoin no Brasil. Em julho de 2025, a Tether Holdings, gigante do setor de stablecoins, e a Adecoagro, empresa de agronegócio com atuação na América do Sul, anunciaram uma parceria para transformar o excedente de energia limpa em receita com a criptomoeda.
O acordo prevê que a Adecoagro destine parte de sua capacidade de 230 MW em energia renovável à mineração. Em vez de reduzir a produção quando a rede não consegue absorver toda a oferta, ou de vender a sobra a preços do mercado à vista, a empresa usará essa eletricidade para operar os equipamentos. Se os preços do Bitcoin se mantiverem favoráveis, energia que ficaria ociosa pode virar ganho.
O presidente-executivo da Adecoagro, Mariano Bosch, explicou a lógica comercial do movimento. A companhia quer estabilizar uma fatia de suas vendas de energia, trocando as oscilações do mercado à vista por um canal de demanda fixa. Em outras palavras, a mineração funcionaria como um comprador garantido para parte da produção elétrica, reduzindo a exposição da empresa à volatilidade dos preços da energia.
Caberá à Tether instalar e administrar o hardware de mineração, usando seu sistema próprio, o Tether Mining OS. Em reportagem do Bitcoinist, o presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, afirmou que o software terá o código aberto em breve, para que operações de mineração em diferentes regiões, incluindo fazendas na Europa e na Ásia, possam acessar, modificar e implementar a ferramenta, com ganhos de transparência e sustentabilidade.
A operação envolve uma parte relacionada, o que exigiu cuidados de governança. Juan Sartori ocupa ao mesmo tempo o cargo de chefe de iniciativas de negócios da Tether e a presidência do conselho da Adecoagro. Por isso, um comitê independente revisou os termos da transação para evitar conflitos de interesse e garantir que nenhuma das partes tivesse vantagem indevida, preservando a confiança dos investidores.
A reportagem não informa a localização exata das instalações no país, o poder computacional previsto nem o valor do investimento. Mesmo assim, o anúncio chama atenção por associar uma das maiores empresas do mercado cripto a um grupo do agronegócio que atua na produção de energia renovável.
Para o leitor brasileiro, o acordo ilustra uma tendência que conecta dois setores relevantes da economia nacional: o agronegócio e a geração de energia limpa. Em momentos de sobra de produção eólica e solar, geradores podem enfrentar preços baixos ou precisar reduzir a geração. A mineração de Bitcoin aparece como uma forma de monetizar esse excedente. O modelo, porém, depende do preço da criptomoeda e do custo dos equipamentos, fatores que vão determinar se a atividade será lucrativa ao longo do tempo e se o exemplo poderá ser replicado por outras empresas do setor.
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