Tether aplica US$ 20 milhões no Mercado Bitcoin para ampliar finanças tokenizadas no Brasil
Aporte de US$ 20 milhões da Tether, emissora da stablecoin USDT, reforça o caixa do Mercado Bitcoin, plataforma de serviços financeiros com sede em São Paulo. O investimento estratégico foi anunciado em julho de 2026 e, segundo a Tether, faz parte de uma estratégia mais ampla de apoiar plataformas reguladas que operam em escala no setor de finanças em blockchain da América Latina.
Fundado em 2013, o Mercado Bitcoin deixou de ser apenas uma corretora de criptomoedas e passou a se apresentar como uma plataforma completa de serviços financeiros em blockchain. A empresa atende 4,5 milhões de usuários e já emitiu mais de R$ 2 bilhões em ativos tokenizados. Também reúne mais de 10 licenças no Brasil e na Europa, entre elas a de instituição de pagamento concedida pelo Banco Central, além de estruturas de corretora de valores, securitização e gestão de recursos.
O dinheiro tem destino definido. Como relatou a Bitcoin Magazine, o Mercado Bitcoin pretende usar os recursos para expandir a infraestrutura de pagamentos, ampliar a oferta de investimentos tokenizados para clientes de varejo e institucionais, crescer nas operações de empréstimo e crédito, avançar em mercados de capitais em blockchain e apoiar sua expansão internacional.
O presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, justificou a escolha ao dizer que "o Mercado Bitcoin construiu exatamente isso, uma plataforma financeira em blockchain completa e regulada, que atende milhões de usuários". Já Roberto Dagnoni, presidente do conselho e presidente-executivo do Mercado Bitcoin, afirmou que o investimento reforça a capacidade da empresa de ampliar seus serviços em blockchain no Brasil e no exterior, e avaliou que a migração das finanças para trilhos de blockchain já está em curso, com o foco agora voltado para a construção de infraestrutura.
Há, no entanto, informações que ficaram de fora. Nenhuma das partes divulgou o tamanho total da rodada de financiamento nem a avaliação de mercado atribuída ao Mercado Bitcoin, o que impede saber qual fatia da empresa a Tether passa a deter. A reportagem da Bitcoin Magazine enquadra o negócio em uma confiança crescente do setor de que tokenização e stablecoins vão entrar no sistema financeiro tradicional, sobretudo em mercados regulados e de crescimento acelerado.
O movimento também se encaixa na estratégia recente da Tether de diversificar investimentos. A mesma publicação lembra que, em junho de 2026, a empresa liderou uma rodada Série C de US$ 1,4 bilhão da NEURA Robotics, companhia de robótica.
Para o investidor brasileiro, o aporte sinaliza que capital estrangeiro ligado a stablecoins está disposto a apostar em plataformas locais com licenças e estrutura regulatória já montadas. Na prática, isso pode acelerar a chegada de novos produtos tokenizados, como títulos de renda fixa e recebíveis fracionados, além de serviços de crédito e pagamentos. Ao mesmo tempo, vale acompanhar como a aproximação com a Tether, emissora do USDT, vai se refletir na oferta de produtos atrelados a stablecoins dentro da plataforma, um tema que segue sob atenção dos reguladores brasileiros.
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