Termômetro de tendência da CryptoQuant marca 90 pontos enquanto demanda aparente por Bitcoin perde força
Duas leituras da CryptoQuant sobre o Bitcoin apontam em direções aparentemente opostas. O Bull Score, indicador da empresa que mede o estado da tendência, chegou a 90 de 100 pontos. Ao mesmo tempo, a estimativa da casa para a demanda aparente, que tenta medir a absorção de novas moedas pelo mercado, mostrou contração de cerca de 170.000 BTC em 30 dias.
Em análise publicada pelo crypto.news, o contraste é tratado como informação útil, e não como erro. "Um número descreve o estado de uma tendência. O outro pergunta se o mercado está absorvendo a nova oferta no mesmo ritmo", diz o texto. A publicação alerta que um comprador que olhasse apenas o Bull Score poderia ver ali um veredito quase perfeito, mas lembra que o indicador "não é uma previsão de que o Bitcoin tem 90% de probabilidade de subir".
A escala da contração chama atenção. Com a emissão diária estimada em cerca de 450 BTC, resultado da recompensa atual de 3,125 BTC por bloco, a produção de 30 dias fica perto de 13.500 BTC. A queda na demanda aparente equivale, portanto, a cerca de 12,6 vezes a emissão mensal. Ao preço de US$ 83.300, valor próximo ao da negociação em 30 de setembro, a cifra corresponde a aproximadamente US$ 14,2 bilhões.
Os fluxos institucionais, por outro lado, foram fortes. Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos captaram US$ 2,39 bilhões na semana encerrada em 25 de setembro, incluindo US$ 999 milhões em 21 de setembro e US$ 714,7 milhões no dia seguinte. A Strategy comprou 1.665 BTC, segundo divulgação de 28 de setembro, e passou a deter 847.666 BTC. As reservas em corretoras caíram cerca de 12.153 BTC entre 17 e 23 de setembro, com saída de 19.105 BTC só no dia 22.
A explicação proposta é que a demanda medida é um saldo líquido. "Toda negociação executada tem um comprador e um vendedor", lembra a análise, e os dados públicos não permitem identificar o comprador final de cada moeda vendida. Assim, compras institucionais robustas podem conviver com vendas relevantes de outros grupos. Os detentores de longo prazo realizavam lucros de cerca de 72% em 25 de setembro, bem abaixo dos cerca de 350% de dezembro de 2024.
O contexto inclui também alavancagem. Em dois dias, os contratos futuros somaram mais de US$ 2 bilhões em posições em aberto, enquanto os ETFs receberam cerca de US$ 1,7 bilhão. O Bitcoin chegou a cerca de US$ 87.400, máxima em oito meses, e o trimestre encerrado em setembro registrou ganho superior a 40%, o melhor em quase dois anos.
Para o investidor brasileiro, a lição é não depender de um único indicador. Um placar de tendência elevado convive, neste momento, com sinais de absorção mais fraca da oferta, e a própria análise ressalta que desempenhos passados de outubro não servem como previsão confiável.
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