Stablecoins superam o bitcoin no Brasil e demanda chega a US$ 14,68 bilhões no semestre
Stablecoins responderam por mais de 90% da demanda por criptoativos no país no primeiro semestre de 2026. Dados do Banco Central divulgados no fim de julho mostram que as compras de ativos como bitcoin, ether e moedas estáveis somaram US$ 14,68 bilhões entre janeiro e junho, um salto de 135% em relação aos US$ 6,24 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O ritmo de junho ajuda a dimensionar a expansão. No mês, as compras chegaram a US$ 2,54 bilhões, ante US$ 1,48 bilhão em junho do ano anterior. Em maio, apenas as aquisições de stablecoins haviam somado US$ 2,632 bilhões, alta de 158% na comparação anual. Os números confirmam que as moedas digitais atreladas ao dólar deixaram o bitcoin para trás como principal porta de entrada do brasileiro no mercado cripto.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, comentou o movimento em tom de consolidação. "O mercado de criptoativos é relativamente novo, já não tão novo. Ele ainda está em expansão, tanto no Brasil quanto no mundo. Está se consolidando", afirmou, em declaração reproduzida pelo Bitcoin.com News.
O crescimento acontece às vésperas de uma mudança regulatória importante. O novo marco para o setor entra em vigor em janeiro de 2027 e classifica as prestadoras de serviços de ativos virtuais, as chamadas VASPs, como entidades de Classe 3. Na prática, essas empresas terão de cumprir exigências equivalentes às aplicadas a corretoras de valores e a instituições que operam câmbio, o que tende a elevar custos de conformidade e a padronizar processos.
A reportagem também lembra que o governo chegou a considerar uma cobrança de 3,5% sobre operações com stablecoins, proposta que acabou adiada. O tema continua no radar porque essas moedas funcionam, na prática, como uma forma de acesso ao dólar, usadas em pagamentos e liquidações internacionais, o que as aproxima do mercado de câmbio tradicional.
Para o leitor brasileiro, os números revelam uma mudança de perfil no uso das criptomoedas. Em vez de apostar apenas na valorização do bitcoin, uma parcela crescente dos usuários recorre às stablecoins como ferramenta financeira, seja para proteger recursos em dólar, seja para enviar e receber valores do exterior. Isso explica por que a atenção dos reguladores se voltou justamente para esse segmento.
O cenário descrito pelo Banco Central aponta para um mercado maior e mais institucionalizado, mas também mais vigiado. Com a maior economia da América Latina acelerando a adoção por meio de moedas atreladas ao dólar, a forma como as novas regras e uma eventual tributação forem aplicadas deve influenciar diretamente o custo e a facilidade de uso desses ativos no dia a dia dos brasileiros a partir de 2027.
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