Stablecoins passam o bitcoin e lideram as compras de cripto na América Latina
Dólares digitais ultrapassaram o bitcoin pela primeira vez como o ativo mais comprado por usuários de varejo na América Latina. A conclusão está no relatório de adoção cripto de 2025 da Bitso, uma das maiores plataformas da região, divulgado em maio de 2026. O estudo analisou dados de quase 10 milhões de usuários de varejo.
Pelos números da empresa, as stablecoins responderam por 40% das compras realizadas na Bitso, enquanto o bitcoin ficou com 18%. É a primeira vez que as moedas atreladas ao dólar superam o principal criptoativo nesse indicador. Entre as mais usadas estão o USDT, da Tether, e o USDC, da Circle.
A mudança, no entanto, não significa que o bitcoin perdeu espaço nas carteiras. O relatório mostra que o ativo continuava presente em 52% das carteiras em 2025, praticamente o mesmo patamar de 53% registrado um ano antes. Para a Bitso, o bitcoin segue como "a principal reserva de valor digital de longo prazo da região", enquanto as stablecoins ganharam espaço nas operações do dia a dia, como pagamentos e remessas.
A empresa descreve o fenômeno como uma "dolarização digital". Em economias com histórico de inflação alta e moedas locais instáveis, os usuários buscam proteção em ativos atrelados ao dólar, que podem ser comprados, guardados e transferidos pelo celular. A lógica é parecida com a de quem compra dólar em espécie, mas com a facilidade de movimentar os recursos a qualquer hora e para qualquer país.
O movimento acompanha o crescimento global do setor. Conforme destacou o crypto.news, o mercado de stablecoins alcançou cerca de US$ 320 bilhões. No início de abril, o Mercado Livre lançou um produto de remessas internacionais usando sua stablecoin, o Meli Dólar, entre Brasil, México e Chile, um sinal de que grandes empresas do varejo digital também estão apostando nesse tipo de ativo para pagamentos entre países.
Para o investidor brasileiro, o dado ajuda a entender a transformação do mercado local. As stablecoins passaram a ser usadas não apenas como porta de entrada para outros criptoativos, mas também como forma de guardar valor em dólar e enviar dinheiro ao exterior. Essa popularidade explica por que o tema entrou na pauta do Banco Central e das discussões sobre tributação no país, já que parte relevante das operações envolve câmbio indireto.
Vale lembrar, porém, que stablecoins dependem da solidez do emissor e das reservas que garantem a paridade com o dólar, além de estarem sujeitas às regras de cada país. Já o bitcoin, citado pela Bitso como reserva de longo prazo, continua sujeito a oscilações fortes de preço. Os dois ativos cumprem papéis diferentes, e a escolha entre eles depende do objetivo de cada usuário, seja proteger o poder de compra, fazer pagamentos ou investir pensando em prazos mais longos.
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