Saída de moedas da Binance não segura o bitcoin, que recua a US$ 83 mil pressionado pelos juros americanos
Para entender o recuo do bitcoin nesta terça-feira, 29 de setembro, é preciso olhar menos para as corretoras e mais para o mercado de títulos dos Estados Unidos. Segundo o crypto.news, a criptomoeda era negociada perto de US$ 83.100 durante a sessão asiática, depois de ter operado mais próxima de US$ 84.000 e de ter alcançado cerca de US$ 87.000 na semana anterior. Ainda assim, o preço segue bem acima da faixa de US$ 63.000 a US$ 65.000 vista em meados de agosto.
O principal vento contrário vem dos juros. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos chegou a 5,27%, o maior nível desde 2007, enquanto o papel de 30 anos se aproximou de máximas não vistas desde o início dos anos 2000. O movimento ocorre em meio à alta do petróleo, às preocupações com a inflação e à expectativa de novos apertos do Federal Reserve. Em 16 de setembro, o Fed elevou sua faixa de juros em 25 pontos-base, para 3,75% a 4,00%, citando inflação elevada e atividade econômica resiliente.
O dado curioso é que, pelo lado da oferta nas corretoras, o cenário parecia favorável. Números da CryptoQuant mostram que as reservas de bitcoin da Binance caíram de cerca de 701.000 BTC em 21 de setembro para 678.000 BTC em 28 de setembro, uma redução de aproximadamente 23.000 BTC, ou 3,3%, em uma semana. As reservas de ether recuaram de cerca de 3,65 milhões para 3,54 milhões de ETH, queda de 3%, enquanto o saldo de USDT ficou estável perto de US$ 38,1 bilhões. O próprio texto pondera, no entanto, que a queda dos saldos em corretoras, isoladamente, não revela se os detentores pretendem vender, manter ou apenas movimentar os ativos.
Entre as altcoins, o dia foi negativo. A Zcash caiu cerca de 12%, para US$ 1.380. Solana e Hyperliquid perderam entre 3% e 4%, a Dogecoin cedeu 3%, e BNB e XRP recuaram cerca de 2%. A capitalização total do mercado de criptoativos ficou próxima de US$ 2,86 trilhões. No mercado de derivativos, o interesse aberto vem caindo há mais de uma semana, com liquidação de posições compradas muito alavancadas e redução de posições vendidas.
Na leitura técnica, o bitcoin testou os US$ 83.000 quando o MACD de quatro horas virou para baixa. O RSI estava em 62,14, acima do nível neutro de 50 e abaixo da zona de sobrecompra de 70. A estrutura diária, segundo a análise, ainda forma topos e fundos mais altos, e a rejeição entre US$ 86.000 e US$ 87.000 devolveu o ativo à consolidação.
Analistas citados pelo crypto.news enxergam o momento de formas distintas. Para Rekt Capital, o bitcoin fez um fechamento semanal acima do topo de sua antiga faixa macro de US$ 60.000 a US$ 80.000, e o movimento atual seria um reteste que define a tendência. Já CrypNuevo avalia que o ativo varreu ordens de stop abaixo do suporte local e pode estar iniciando um novo movimento em direção a US$ 85.000, com liquidações concentradas em US$ 85.300.
O próximo teste é o índice de preços PCE de agosto, marcado para 30 de setembro às 8h30 no horário de Nova York; o dado de julho mostrou 3,7% em 12 meses no índice cheio e 3,3% no núcleo. Para quem acompanha o mercado, o recado é que, neste momento, os juros americanos pesam mais sobre a cotação do que a redução de moedas nas corretoras, e a inflação americana deve ditar o humor das próximas negociações.
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