Ripple e Mercado Bitcoin unem forças para agilizar pagamentos internacionais no Brasil
Transferências internacionais entre o Brasil e Portugal passaram a contar com a tecnologia da Ripple dentro do Mercado Bitcoin, a maior corretora de criptomoedas da América Latina. A parceria foi anunciada em 3 de outubro de 2024 e usa a solução de pagamentos da Ripple, baseada em blockchain, para tornar mais rápidas e baratas as operações entre fronteiras.
Na primeira fase, o serviço tem alcance limitado. Ele vale apenas para transações institucionais entre o Mercado Bitcoin e seu parceiro em Portugal, com o objetivo de simplificar as operações de tesouraria entre os dois países. Clientes comuns não terão acesso durante esse período inicial. Os planos, porém, incluem estender a solução a empresas e ao varejo no futuro, com transações em reais.
A Ripple apresenta números robustos para sustentar a proposta. Segundo a empresa, o Ripple Payments alcança mais de 80 mercados de pagamento, cobre mais de 90% do mercado diário de câmbio e já processou mais de US$ 50 bilhões em volume. A companhia afirma ainda ter cerca de 55 licenças e registros regulatórios pelo mundo. O diretor-gerente da Ripple para a América Latina, Silvio Pegado, destacou que a solução oferece a empresas do setor cripto "operações aprimoradas, liquidez otimizada e margens maiores por meio de liquidação em tempo real".
Pelo lado da corretora brasileira, o chefe da área de banking do Mercado Bitcoin, Jordan Abud, afirmou em declaração reproduzida pelo CryptoSlate que "a possibilidade de facilitar esse tipo de operação, oferecendo custos mais baixos e tornando a plataforma ainda mais completa, mostra nosso compromisso com os clientes, ao mesmo tempo em que amplia o portfólio de produtos que oferecemos atualmente".
A presença da Ripple no país não é nova. A empresa atua no Brasil desde 2019 e, em 2022, lançou sua primeira solução de pagamentos baseada em cripto no mercado brasileiro em parceria com o Travelex Bank. O país também aparecia entre os dez primeiros no Índice Global de Adoção de 2024 da Chainalysis, o que ajuda a explicar o interesse de empresas estrangeiras.
O anúncio chegou em um momento delicado para a Ripple nos Estados Unidos. A SEC, a comissão de valores mobiliários americana, havia apresentado aviso de recurso contra uma decisão judicial favorável à empresa no processo movido pelo regulador. O presidente-executivo da Ripple, Brad Garlinghouse, classificou a iniciativa da SEC como "equivocada e irritante".
Para o leitor brasileiro, o efeito imediato é pequeno, já que a novidade começou restrita à tesouraria institucional. O interesse está no caminho indicado: se o serviço for ampliado para empresas e pessoas físicas, remessas e pagamentos ao exterior poderão ganhar uma alternativa aos canais bancários tradicionais, que costumam envolver custos maiores e prazos de alguns dias. Até lá, a parceria funciona como um teste de como a infraestrutura de blockchain pode ser integrada à operação de uma corretora regulada no país.
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