Recompra de dívida pelo Tesouro americano embala o trimestre mais forte do bitcoin desde o fim de 2024
A alta de 40% acumulada pelo bitcoin nos últimos três meses garantiu à criptomoeda o melhor desempenho trimestral desde o quarto trimestre de 2024. Boa parte do avanço veio depois de 19 de agosto, quando o Tesouro dos Estados Unidos anunciou planos de mais que dobrar o tamanho de suas recompras de títulos da dívida pública. Desde aquela data, a valorização chega a cerca de 30%.
O bitcoin era negociado perto de US$ 83.698, praticamente estável em 24 horas e com ganho de 6% em 30 dias, segundo dados citados pela Bitcoin Magazine. A publicação atribui parte do movimento à atuação do Tesouro americano, cujas medidas buscam reduzir os rendimentos dos títulos públicos.
A lógica é simples. Quando os juros de longo prazo caem, diminui o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam rendimento, como o bitcoin e o ouro. Em outras palavras, o investidor abre mão de menos ao deixar de aplicar em títulos para comprar esses ativos. Juros mais baixos também tendem a favorecer o apetite por risco, o que costuma beneficiar as criptomoedas.
O curioso é que, apesar da intervenção do Tesouro, os rendimentos dos títulos americanos continuam em níveis que não eram vistos desde os anos 2000. Ainda assim, os investidores de bitcoin não parecem preocupados. O ativo tem se saído bem com o enfraquecimento do dólar, e a chamada operação de desvalorização, em que investidores buscam ativos como proteção contra a perda de valor da moeda, voltou a ganhar força depois que a dívida total dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões em julho.
O contexto do ciclo também ajuda a explicar o otimismo. O bitcoin atingiu sua máxima histórica de US$ 126.080 em outubro do ano passado e depois recuou mais de 50%. Mesmo assim, a reportagem classifica esse período como o mercado de baixa mais raso da história do ativo até agora. Uma análise da CryptoQuant aponta que o bitcoin voltou a território de alta ao cruzar acima de sua média móvel de 365 dias, descrita pela empresa como o sinal técnico definitivo de início de um mercado altista. A média móvel de 365 dias mostra o preço médio do último ano, e ficar acima dela indica que a cotação atual supera esse patamar.
O desempenho chama ainda mais atenção porque veio apesar de dois obstáculos relevantes. O Federal Reserve, banco central americano, elevou os juros, e parlamentares bloquearam o Clarity Act, projeto considerado um marco para a regulação das criptomoedas nos Estados Unidos. Nenhum dos dois fatos interrompeu a recuperação do trimestre.
Para o investidor brasileiro, vale lembrar que o resultado em reais depende também do câmbio, já que o bitcoin é cotado internacionalmente em dólar. Os sinais técnicos mencionados são leituras de analistas, e não garantia de continuidade da alta, mas ajudam a entender por que parte do mercado voltou a enxergar o bitcoin em fase de recuperação.
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