Protocolo pouco conhecido, com usuários na Ásia, respondeu pela maioria das transações do bitcoin em 90 dias
Um protocolo que quase não aparecia nas análises do mercado foi o grande responsável pelo salto recente no número de transações da rede do bitcoin. Dados publicados pela SUBFROST, mantenedora do Alkanes, e repercutidos pela Bitcoin Magazine indicam que o metaprotocolo respondeu por 61,1% de todas as transações do bitcoin entre 23 de junho e 20 de setembro de 2026.
No período, foram cerca de 59,9 milhões de transações, distribuídas entre os blocos 954.917 e 967.918. Segundo a SUBFROST, o Alkanes ocupou 40,3% do espaço dos blocos em peso, respondeu por 94,2% dos bytes gravados em OP_RETURN e gerou 13,4% da receita de taxas de transação da rede. Os números são da própria mantenedora do protocolo.
O Alkanes é um metaprotocolo construído sobre o Runes. Ele não altera o consenso do bitcoin e não funciona como uma sidechain. O código dos contratos, em WebAssembly, é publicado nos dados de testemunha das transações, e os usuários enviam chamadas de função no formato de runestones. Quem executa essas chamadas é um indexador separado, chamado Metashrew. Os nós completos confirmam as transações, mas não validam os saldos do Alkanes.
A principal atividade registrada foi a emissão do token DIESEL, função do contrato de gênese do protocolo. De acordo com a SUBFROST, 99,7% das emissões de UNCOMMON•GOODS no Runes durante o período analisado também eram emissões de DIESEL, o que mostra quanto do movimento vinha do Alkanes.
A base de usuários, segundo a mantenedora, é quase inteiramente da região Ásia Pacífico. A SUBFROST oferece documentação em chinês, uma página de métricas no idioma e suporte oficial em chinês pelo Telegram. A empresa é liderada pelo cofundador Gabe Lee e por RWP IV, autor original do protocolo.
O Alkanes foi lançado em 20 de janeiro de 2025, no bloco 880.000, quando o contrato DIESEL foi implantado. O projeto nasceu na Oyl Corp, que anunciou o encerramento das atividades em janeiro de 2026. Desde então, a SUBFROST assumiu a manutenção. A Bitcoin Magazine observa que relatórios anteriores de CryptoQuant, Glassnode e CoinDesk atribuíram o salto de junho, quando a rede passou de 800 mil transações diárias, a Runes, Ordinals e BRC-20, sem identificar o Alkanes como principal motor.
A informação ajuda a interpretar indicadores on-chain usados por analistas e investidores, inclusive no Brasil. Um aumento no número de transações costuma ser lido como sinal de maior uso da rede, mas, neste caso, boa parte do volume veio de uma atividade específica de emissão de tokens, concentrada em uma região e com participação modesta na receita de taxas.
Para quem acompanha o mercado, o caso reforça a importância de olhar além dos números agregados. Métricas de atividade da rede podem ser inflacionadas por protocolos de nicho, e entender a origem desse movimento é essencial antes de tirar conclusões sobre demanda real pelo bitcoin ou sobre a saúde da rede.
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