Pedido da Bitget ao THORChain após roubo de US$ 387,5 milhões reacende debate sobre bloqueio de fundos
Quase US$ 387,5 milhões foram levados da corretora Bitget em um ataque que explorou uma vulnerabilidade em um produto de segurança de terceiros, e o caminho percorrido por esse dinheiro abriu uma discussão sobre quem deve bloquear recursos roubados em redes descentralizadas. O tema é analisado em artigo de Rony Roy publicado pelo crypto.news em 29 de setembro de 2026.
Segundo o texto, os invasores conseguiram credenciais internas e emitiram ordens fraudulentas de saque. As chaves privadas e as carteiras frias da Bitget não foram afetadas. Depois do roubo, os ativos passaram por várias redes, entre elas BNB Chain, Ethereum, THORChain e Bitcoin. Foram identificados 28 endereços controlados pelos atacantes em oito blockchains. Uma parcela de cerca de 4 BTC foi rastreada passando por TRON, Ethereum e THORChain até chegar ao Bitcoin, onde foi ligada a uma transação de CoinJoin na carteira Wasabi.
O artigo lista cerca de uma dúzia de serviços que apareceram nas rotas usadas depois do ataque: Uniswap, MetaMask Bridge and Swaps, LI.FI, Across, Stargate, deBridge, Relay, Mayan, Celer, PancakeSwap e o Cross-Chain Transfer Protocol da Circle.
A controvérsia começou quando a CEO da Bitget, Gracy Chen, pediu ao THORChain que recusasse serviço aos endereços identificados como dos atacantes. O THORChain respondeu questionando qual responsabilidade deveriam ter Bitcoin, Ethereum e BNB Chain, redes pelas quais os mesmos ativos roubados também passaram.
É daí que vem o duplo padrão apontado pelo autor. Na avaliação de Roy, não é coerente cobrar do THORChain o bloqueio de fundos sem fazer a mesma exigência às blockchains de base que processaram as transações. O artigo explica que o THORChain opera pools de liquidez e cofres protegidos por assinaturas de limiar, com governança descentralizada e operadores de nós independentes. A rede tem controles de emergência, como paralisações por cadeia, de assinatura e de negociação, e uma parada global interrompe os swaps em todas as cadeias conectadas.
O autor enumera argumentos contra bloqueios obrigatórios: fechar uma rota não elimina as alternativas, filtros permanentes exigiriam definir quem mantém as listas e que provas seriam aceitas, e paralisações prejudicariam usuários legítimos. Ele acrescenta que o rastreamento público já está funcionando sem esse tipo de intervenção.
Na conclusão, Roy afirma que a Bitget merece apoio na busca pelos recursos roubados, mas que exigir que uma rede aberta se torne um guardião discricionário não é uma resposta sustentável nem prática. Para ele, a divisão de responsabilidades deveria considerar infraestrutura operada de forma independente, registros públicos e intervenção apenas onde os ativos podem de fato ser controlados.
Para quem acompanha o mercado de criptoativos, o episódio expõe uma tensão que deve crescer: a pressão de corretoras e autoridades por bloqueios após grandes ataques e o princípio de neutralidade das redes descentralizadas. Casos como este tendem a influenciar debates regulatórios sobre pontes e protocolos de troca entre blockchains, com impacto sobre como esses serviços poderão operar no futuro.
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