Nova alta de juros em outubro preocupa mais o mercado de bitcoin do que o impasse do CLARITY, diz pesquisador
Para entender o que pode pesar sobre o bitcoin nas próximas semanas, o pesquisador sênior do HashKey Group, Tim Sun, aponta para o Federal Reserve, e não para o Congresso americano. Em entrevista ao crypto.news, ele avaliou que uma nova alta de juros em outubro representa um risco maior para a criptomoeda do que o atraso na aprovação do CLARITY Act.
O contexto é de aperto monetário. Em 16 de setembro de 2026, o Fed elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00%, com apoio dos 12 membros votantes. As projeções do banco central indicam taxa mediana de 4,1% no fim de 2026, acima dos 3,8% previstos em junho. Dezesseis dos 18 participantes projetaram juros acima da faixa atual ao final do ano.
Na leitura de Sun, o problema não é apenas o aumento em si, mas como o mercado vai interpretá-lo. "Outra alta em outubro pode levar os investidores a tratar a elevação de setembro como o início de um aperto repetido, e não como um movimento preventivo isolado", disse. Ele destacou três fatores para acompanhar: os rendimentos dos títulos longos do Tesouro, os fluxos dos ETFs de bitcoin à vista e a alavancagem nos derivativos.
A reação do bitcoin à decisão de setembro foi rápida. A criptomoeda chegou a se aproximar de US$ 75.000 logo após o anúncio e voltou à faixa de US$ 76.000 a US$ 76.700 em poucas horas. Depois, avançou em direção a US$ 87.000 antes de recuar. No mercado de títulos, o rendimento do Tesouro de dez anos atingiu 5,20% em 24 de setembro. Os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 433 milhões em entradas apenas no último pregão da semana encerrada em 18 de setembro.
Do lado regulatório, o CLARITY Act, projeto que busca definir a divisão de supervisão sobre ativos digitais entre a SEC e a CFTC, sofreu um revés. Em 15 de setembro, o Senado votou 49 a 50 contra o encerramento do debate, quando eram necessários 60 votos para que a proposta avançasse.
A economia americana segue aquecida, o que reforça o argumento a favor de juros mais altos. Segundo o crypto.news, o índice preliminar de gerentes de compras composto dos Estados Unidos, da S&P Global, subiu para 58,4 em setembro, contra 56,0 em agosto.
Para o investidor brasileiro, a política do Fed tem efeito direto. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a valorizar o dólar e a retirar recursos de ativos de risco em todo o mundo, o que afeta tanto a cotação do bitcoin quanto o câmbio. Quem compra criptoativos em reais sente os dois movimentos ao mesmo tempo.
Para quem acompanha o mercado, a avaliação de Sun, que é uma opinião e não uma previsão confirmada, desloca o foco da agenda regulatória para a macroeconomia. A próxima reunião do Fed, os rendimentos do Tesouro e o comportamento dos fluxos dos ETFs devem funcionar como termômetros da disposição dos investidores em manter posições em bitcoin.
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