Mineradora Riot zera dívida de US$ 200 milhões e libera 5.821 bitcoins que estavam em garantia
A mineradora americana Riot Platforms quitou e encerrou uma linha de crédito de US$ 200 milhões garantida por bitcoin junto à Coinbase Credit. Segundo o crypto.news, a informação consta de um documento enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, datado de 25 de setembro de 2026. O pagamento de todo o principal e dos juros acumulados foi concluído em 21 de setembro.
O contrato original foi assinado em 21 de abril de 2026 e permitia vários saques até o limite de US$ 200 milhões. A garantia eram ativos mantidos na Coinbase Custody Trust Company, incluindo bitcoin, USDC e dinheiro. Com a quitação, as garantias dadas à Coinbase Credit foram totalmente liberadas e a obrigação da credora de emprestar mais recursos terminou. Segundo a reportagem, a empresa não pagou multa por encerramento antecipado, conforme as condições previstas no contrato.
No início, os juros seguiam a taxa básica dos Fed Funds mais 4,5 pontos percentuais, com um piso mínimo. Com o valor total sacado, a taxa chegou a 8,3% em 31 de março de 2026. Uma alteração feita em abril melhorou as condições: o vencimento passou para 20 de abril de 2027 e a cobrança virou uma taxa fixa de 6,15% ao ano. Nesse nível, um saldo de US$ 200 milhões por um ano inteiro geraria cerca de US$ 12,3 milhões em juros.
O ponto mais relevante é o bitcoin que deixa de estar comprometido. Em 30 de junho de 2026, a Riot tinha 11.380 BTC, dos quais 5.821 estavam dados em garantia nessa linha. Ao preço daquela data, de US$ 58.527 por bitcoin, essa parte valia cerca de US$ 340,7 milhões, aproximadamente 51% das reservas da empresa. Com o encerramento, esses bitcoins ficam livres de qualquer direito da credora.
Listada na Nasdaq com o código RIOT, a empresa minera bitcoin e opera data centers no Texas e no Kentucky, além de unidades de engenharia e fabricação em Denver e Houston. No primeiro trimestre de 2026, a receita foi de US$ 167,2 milhões. A receita de mineração caiu para US$ 111,9 milhões, por causa do preço mais baixo do bitcoin e do aumento do poder computacional da rede, e a empresa registrou US$ 33,2 milhões de receita com data centers pela primeira vez.
No segundo trimestre, a receita total subiu 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 174,2 milhões, com US$ 23,2 milhões vindos de data centers. A Riot produziu 1.587 bitcoins no período e informou ter US$ 548,9 milhões em caixa em agosto, dos quais US$ 77,5 milhões com uso restrito.
A reportagem mostra que a empresa também vendeu mais bitcoin do que produziu em parte do ano: no primeiro trimestre, vendeu 3.778 BTC por US$ 289,5 milhões e produziu 1.473. Em julho, transferiu 500 BTC, cerca de US$ 30,72 milhões, para a custódia da NYDIG.
O movimento acompanha uma onda de refinanciamentos entre mineradoras. A MARA Holdings obteve US$ 600 milhões em novos empréstimos garantidos por bitcoin em agosto de 2026, com Coinbase Credit e Two Prime Lending, e a Hut 8 trocou seu financiamento na Coinbase por uma linha de US$ 200 milhões da FalconX, com juros fixos de 7% ao ano. Para quem acompanha o setor, o recado é que as mineradoras estão administrando dívida e reservas de bitcoin com mais cuidado num período de margens apertadas.
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