Mesmo com bitcoin em queda e juros americanos em alta, fundos cripto atraem US$ 2,39 bilhões na semana
Investidores institucionais continuaram colocando dinheiro nos fundos de criptoativos negociados em bolsa nos Estados Unidos mesmo em uma semana difícil para o bitcoin. Segundo reportagem do crypto.news publicada em 29/09/2026, os ETFs de cripto receberam US$ 2,39 bilhões em entradas líquidas no período, enquanto a principal criptomoeda recuava 4,3% e era negociada em torno de US$ 83.500.
O movimento chama atenção porque ajudou a reverter o saldo negativo acumulado no ano. Em julho, o déficit de captação desses produtos em 2026 chegou a US$ 5,8 bilhões. Ainda assim, o patrimônio líquido total dos ETFs está perto de US$ 108 bilhões, bem abaixo do pico de US$ 152 bilhões, registrado quando o bitcoin era cotado a cerca de US$ 125.000.
Entre 21 e 25 de setembro, o IBIT, da BlackRock, liderou as entradas com cerca de US$ 1,16 bilhão. Na sequência vieram o FBTC, da Fidelity, com US$ 701,6 milhões, e o ARKB, da ARK 21Shares, com US$ 294,7 milhões. O destaque ficou com o MSBT, do Morgan Stanley, que captou US$ 203,3 milhões, a maior entrada semanal desde o lançamento do fundo, em abril.
O pano de fundo foi a disparada dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. A taxa do papel de dez anos subiu de aproximadamente 4,95% para 5,20% e permanecia perto das máximas no momento da reportagem. O ambiente também pesou sobre as bolsas: o S&P 500 caiu 1,2% e o Nasdaq perdeu 1,4%. A volatilidade implícita do bitcoin, medida pelo índice DVol, girava em torno de 35.
Na avaliação de Jesse Marre, gestor sênior de portfólio do Hilbert Group, a persistência das compras é o dado mais relevante. "O bitcoin caiu 4,3% com a quebra nos rendimentos e os fluxos continuaram vindo, o mesmo padrão da semana passada, de notícias ruins que não conseguem se sustentar", afirmou. Para ele, a faixa de consolidação da semana ficou entre US$ 82.400 e US$ 87.500. Um rompimento acima de cerca de US$ 89.000 poderia abrir caminho em direção a US$ 95.000, enquanto os suportes estariam em US$ 80.000 e, depois, em US$ 77.000.
Marre também comentou o cenário regulatório. A SEC tem avançado com orientações sobre cripto por conta própria, fora da legislação aprovada pelo Congresso. Segundo o gestor, isso cria uma fragilidade: "Cada regra escrita dessa forma é uma regra que uma administração futura pode reescrever". Na leitura dele, os próximos dois anos dependerão menos do que for publicado e mais de quão profundamente essas regras se enraizarem antes que a janela política se feche, um risco que se estende por mais de dois anos.
Para o investidor brasileiro, a combinação merece atenção. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar e tornar ativos de risco menos atrativos, o que costuma se refletir na cotação do bitcoin em reais. Por outro lado, a demanda constante pelos ETFs americanos mostra que parte relevante do capital institucional segue disposta a comprar nas quedas.
Para quem acompanha o mercado, o recado da semana é que a captação dos fundos e o comportamento do preço caminharam em direções opostas. A pergunta que fica é se essa demanda institucional conseguirá sustentar os suportes apontados pelos analistas enquanto os rendimentos do Tesouro seguirem pressionados e a incerteza regulatória permanecer no radar.
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