Maior banco brasileiro, Itaú libera compra de Bitcoin para todos no app Íon
Clientes do Itaú Unibanco passaram a ter acesso amplo à negociação de Bitcoin e Ethereum por meio do Íon, o aplicativo de investimentos do banco. A mudança, noticiada em junho de 2024, estendeu a todos os usuários do app um serviço que estava restrito a um grupo selecionado de clientes desde dezembro de 2023.
O Itaú é o maior banco do Brasil e também da América Latina, o que dá peso especial à decisão. O Íon já soma mais de 3,5 milhões de downloads, e com a abertura os clientes podem comprar e vender as duas maiores criptomoedas do mercado diretamente a partir de suas contas bancárias, sem precisar abrir cadastro em uma corretora especializada.
A expansão foi baseada no comportamento dos primeiros usuários. Guto Antunes, responsável pela área de ativos digitais do banco, disse que o Itaú realizou "pesquisas semanais" com o público inicial, que mostraram "forte demanda por Bitcoin e serviços de cripto". A resposta positiva desse grupo levou a instituição a ampliar a oferta.
Um detalhe técnico importante é a custódia. Em vez de contratar um custodiante terceirizado, o Itaú desenvolveu uma solução própria para guardar os ativos. Cada usuário recebe uma carteira separada, o que garante a segregação dos ativos, ou seja, as criptomoedas de cada cliente ficam identificadas individualmente e não se misturam com as do banco ou de outros investidores.
Em reportagem da Bitcoin Magazine, o movimento é descrito como um marco na entrada do Bitcoin no sistema financeiro tradicional de uma grande economia latino-americana. A publicação avalia que a decisão de uma instituição tradicionalmente conservadora funciona como uma validação do Bitcoin como investimento e pode estimular outros bancos da região a oferecer serviços semelhantes. Essa é uma leitura da publicação, e não um compromisso anunciado por outras instituições.
Para o investidor brasileiro, a principal mudança é a conveniência. Quem já é cliente do Itaú pode ter exposição ao Bitcoin e ao Ethereum dentro de um ambiente conhecido, sem transferir recursos para plataformas externas. Isso tende a atrair um público que ainda desconfiava das corretoras de cripto ou tinha dificuldade com o processo de cadastro e transferência.
Há, porém, pontos que o investidor deve observar. Manter criptomoedas sob custódia do banco significa não ter controle direto das chaves privadas, algo que parte da comunidade do Bitcoin considera essencial. Além disso, a oferta se limita a dois ativos, enquanto corretoras especializadas costumam listar muitas outras moedas. Taxas, spreads e as regras de declaração à Receita Federal também precisam entrar na conta de quem decidir investir pelo aplicativo. A iniciativa mostra como os grandes bancos brasileiros passaram a encarar as criptomoedas como produto de varejo. Se a demanda observada pelo Itaú se confirmar em escala, a tendência é que a concorrência entre instituições tradicionais e corretoras nativas de cripto fique mais acirrada no país.
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