Lucros elevados e demanda em queda freiam o bitcoin, mas CryptoQuant ainda enxerga mercado de alta
Depois de renovar a máxima em oito meses, o bitcoin perdeu fôlego. De acordo com a Bitcoin Magazine, que repercutiu um relatório da CryptoQuant, a criptomoeda era negociada a US$ 82.939 em 29/09/2026, uma queda de cerca de 4% em sete dias. Na semana anterior, a cotação havia chegado a US$ 87.251, o maior nível em oito meses.
O relatório aponta dois fatores para a pausa: lucros acumulados em patamar elevado e esfriamento da demanda. Os investidores de curto prazo carregavam, em média, 33% de lucro não realizado, o maior nível desde dezembro de 2024. Situações assim costumam estimular a realização de ganhos, e foi o que aconteceu: em um único dia da semana passada, 25,7 mil BTC foram vendidos com lucro, o maior volume diário de realização de ganhos de 2026.
Diante desse quadro, a CryptoQuant avalia que o rali está perdendo força e que uma correção de curto prazo parece cada vez mais provável. A empresa, porém, faz uma ressalva importante: se os suportes forem preservados, o recuo deve ser entendido como uma consolidação saudável, e não como uma reversão da tendência.
Os níveis de suporte identificados no relatório são três. O primeiro é a média móvel de 365 dias, em torno de US$ 80.000. O segundo é a média móvel de 200 dias, perto de US$ 71.000. O terceiro é o preço realizado on-chain, que representa o custo médio de aquisição das moedas em circulação, próximo de US$ 67.000.
A CryptoQuant sustenta que o bitcoin continua em mercado de alta. O argumento é que a criptomoeda voltou a superar a média móvel de 365 dias, indicador que a empresa descreve como o sinal técnico definitivo que marcou o início de ciclos de alta anteriores. Enquanto o preço se mantiver acima dessa linha, a leitura estrutural permanece positiva, segundo a análise.
A Bitcoin Magazine lembra o histórico recente. Em outubro do ano passado, o bitcoin atingiu o recorde de US$ 126.080, e logo depois veio uma onda de liquidações que encerrou mais de US$ 19 bilhões em posições. Desde então, a recuperação tem sido gradual. A publicação também cita o interesse crescente no chamado "debasement trade", a estratégia de proteção contra a desvalorização das moedas, que ganhou força depois que a dívida total dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões em julho.
Para o investidor brasileiro, os números ajudam a entender a volatilidade recente. Quando muitos participantes estão com lucro elevado, qualquer sinal de enfraquecimento tende a acelerar vendas, o que se reflete rapidamente na cotação em reais. Os suportes citados pela CryptoQuant funcionam como referências para acompanhar se a correção permanece dentro do esperado.
Para quem acompanha o mercado, a mensagem do relatório é de cautela sem alarme. A demanda perdeu intensidade e a realização de lucros pesa no curto prazo, mas a estrutura de alta, na visão da CryptoQuant, segue intacta enquanto a média de 365 dias não for rompida para baixo.
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