Justiça britânica cobra £ 1,8 milhão de ex-agente que desviou bitcoins apreendidos do Silk Road 2.0
Um ex-agente da National Crime Agency (NCA), a agência britânica de combate ao crime organizado, terá de devolver 1.810.678,93 libras, cerca de US$ 2,4 milhões, por ter furtado 50 bitcoins apreendidos em uma investigação. Paul Chowles, de 44 anos, morador de Bristol, desviou as moedas em 2017, quando elas valiam aproximadamente 60.000 libras, ou US$ 77.000. A valorização do Bitcoin desde então fez o valor cobrado superar em mais de 30 vezes o montante original.
As moedas pertenciam a Thomas White, fundador do Silk Road 2.0, mercado clandestino na internet que sucedeu o Silk Road original, fechado pelo FBI em 2013. Chowles chefiava a equipe de análise de criptomoedas da investigação e, ao longo de dois dias em maio de 2017, retirou os 50 BTC da carteira confiscada de White.
Em reportagem do Decrypt, o caminho do dinheiro é descrito em detalhes. O ex-agente fracionou as moedas em quantias menores, passou os valores pelo serviço de mistura Bitcoin Fog e converteu parte deles em moeda tradicional por meio de cartões de débito da Cryptopay e da Wirex. Foram 279 transações, que somaram 144.580 libras sacadas.
O furto chegou a ser atribuído ao próprio White, que sempre negou envolvimento. No fim de 2021, as moedas desaparecidas foram dadas como impossíveis de rastrear. A virada aconteceu em 2022, quando uma busca na casa de Chowles encontrou dispositivos com as chaves privadas. A polícia de Merseyside rastreou os recursos através do misturador com ajuda da empresa de análise de blockchain Chainalysis.
Chowles se declarou culpado de furto, transferência de bens de origem criminosa e ocultação de bens de origem criminosa. Em julho de 2025, foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão pelo Tribunal da Coroa de Liverpool, e a NCA o demitiu em 11 de julho daquele ano. A ordem de confisco foi obtida com base na Lei de Produtos do Crime de 2002. Dos 50 BTC, 30 foram recuperados, e o valor fixado leva em conta a cotação atual das moedas.
"Paul Chowles explorou uma posição de confiança para ganho pessoal, furtando ativos que já haviam sido recuperados por meio de ação policial", afirmou Luke Clements, promotor especializado da divisão de Produtos do Crime do Crown Prosecution Service (CPS). Segundo a reportagem, ordens de confisco permitiram recuperar 530 milhões de libras nos últimos cinco anos, das quais 102 milhões foram devolvidas a vítimas.
Para o leitor brasileiro, o caso chama atenção para um tema cada vez mais presente também por aqui: a guarda de criptomoedas apreendidas pelas autoridades. O episódio mostra que o rastreamento em blockchain pode alcançar desvios anos depois e que a valorização do ativo pesa diretamente no tamanho da conta cobrada pela Justiça.
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