Justiça brasileira condena líder da Braiscompany a 128 anos de prisão
Joel Ferreira de Souza, apontado como o cérebro financeiro da Braiscompany, recebeu uma pena de 128 anos de prisão por seu papel em um esquema de pirâmide com criptomoedas que lesou milhares de investidores. A sentença, noticiada em abril de 2025, foi proferida pelo juiz Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal de Campina Grande, na Paraíba, que também determinou o confisco de R$ 36,59 milhões, cerca de US$ 6,3 milhões, em bens do condenado.
A Braiscompany prometia retorno de 8% ao mês sobre aplicações em criptoativos, patamar muito acima de qualquer investimento legítimo. A empresa começou a operar em junho de 2018 e passou a ter problemas nos pagamentos em dezembro de 2022, até interromper completamente os repasses em janeiro de 2023. Mais de 20 mil investidores foram prejudicados, e o valor total da fraude chegou a R$ 1,11 bilhão, o equivalente a aproximadamente US$ 190 milhões.
Outros integrantes também foram condenados. Victor Augusto Veronez de Souza, filho de Joel, recebeu pena de 15 anos, e Gesana Rayane Silva, descrita como peça-chave da organização, foi sentenciada a 27 anos. Somadas, as penas dos três chegam a 170 anos. Dois acusados, Mizael Moreira Silva e Clelio Fernando Cabral do Ó, foram absolvidos por falta de provas.
Os fundadores do esquema continuam fora do país. Em reportagem do Bitcoinist, a publicação informa que Antônio Neto Ais e Fabrícia Campos fugiram para a Argentina em fevereiro de 2024. Ele foi condenado a 88 anos e ela a 61 anos, e as penas aguardam a conclusão dos processos de extradição.
O caso segue um roteiro conhecido das pirâmides financeiras. Promessas de rendimento alto e constante atraem novos participantes, cujos aportes pagam os ganhos dos mais antigos. Quando a entrada de dinheiro novo desacelera, os pagamentos atrasam e o esquema desmorona. A Braiscompany usava o apelo das criptomoedas para dar aparência de inovação a uma estrutura antiga, o que ajudou a atrair investidores durante mais de quatro anos.
Para o leitor brasileiro, a sentença traz duas mensagens. A primeira é que a Justiça tem aplicado penas severas a fraudes envolvendo criptoativos, o que pode servir de desestímulo a novos esquemas. A segunda é um alerta prático: retorno fixo de 8% ao mês, ou qualquer promessa de ganho garantido e muito acima do mercado, é um sinal clássico de pirâmide. Criptomoedas legítimas oscilam de preço e não oferecem rendimento garantido.
A condenação, no entanto, não significa que as vítimas recuperarão o que perderam. O confisco de R$ 36,59 milhões representa uma fração pequena do total de R$ 1,11 bilhão movimentado pelo esquema. A recuperação de valores costuma ser lenta e parcial em casos desse tipo, o que reforça a importância de verificar a regularidade de empresas e plataformas antes de investir.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
Ataques a empresas cripto já somam quase US$ 2,7 bilhões em 2026, e cinco casos concentram 59% das perdas
Segurança · CryptoSlate
Falha no NEAR Intents derruba token dias após estreia de ETF da Bitwise em Wall Street
Segurança · CryptoSlate
Alabama obriga operadores de caixas eletrônicos de cripto a ressarcir vítimas de golpes
Segurança · Bitcoin.com News
NEAR Intents volta a operar após ataque de US$ 3,8 milhões e promete ressarcir todos os usuários
Segurança · crypto.news
Bitget reabre saques de USDT e marca para sexta a volta do P2P após ataque de US$ 387,5 milhões
Segurança · crypto.news
Justiça britânica obriga golpistas de cripto a devolver 55% do prejuízo de 65 investidores
Segurança · Bitcoin.com News