Juros longos nos EUA na máxima desde 2002 apagam o salto do Bitcoin provocado pela inflação mais branda
Durou pouco o fôlego que a inflação mais fraca nos Estados Unidos deu ao Bitcoin. A criptomoeda chegou a US$ 85.500 na quarta-feira (30), logo após a divulgação do índice de preços PCE de agosto, mas devolveu os ganhos e era negociada pouco acima de US$ 83.700 na manhã asiática desta quinta-feira (1º), ainda na noite de quarta no horário de Brasília.
O dado animou o mercado. O PCE, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, subiu 3,4% em 12 meses, e o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 3,0%. "O relatório do PCE de agosto mostrou a inflação esfriando mais do que o esperado, o que reduziu as chances de outro aumento de juros pelo Federal Reserve em outubro e fez dezembro parecer o próximo movimento mais provável", afirmou Dan Khus, analista-chefe da LVRG Research.
Segundo Khus, o mercado cripto tratou o número como um sinal de alívio, e o Bitcoin voltou a superar US$ 85 mil enquanto os rendimentos dos títulos recuavam e os investidores se mostravam mais dispostos a comprar ativos de risco. O problema é que esse recuo nos juros não se sustentou.
Em reportagem do CoinDesk, o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos permanecia em torno de 5,28%, perto do pico de quarta-feira, e o de 30 anos estava em 5,62%, o maior nível desde 2002. A publicação resume o quadro sem rodeios: uma inflação mais branda, sozinha, não bastou para manter o Bitcoin acima de US$ 85 mil com os juros de 10 anos perto de 5,3%. Na avaliação do texto, só uma queda sustentada desse rendimento daria espaço para que a próxima alta se mantivesse.
Entre as principais criptomoedas, o movimento foi discreto. O Bitcoin acumulava ganho de 0,4%, e Ether, BNB, TRX e ZEC subiam menos de 1% cada. O HYPE avançava 3%, para cerca de US$ 89, e o Dogecoin ganhava quase 2%, pouco abaixo de US$ 0,10. Solana caía perto de 1%, para pouco menos de US$ 119, e o XRP ficava estável em US$ 1,50.
O apetite por risco era maior nas bolsas. Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiam 0,8% e os do S&P 500, 0,4%. Na Ásia, o Nikkei, do Japão, avançava 2,7% e o Kospi, da Coreia do Sul, 1,2%. A Alphabet ganhava 1,5% no pré-mercado, com o Google iniciando a distribuição do modelo de inteligência artificial Gemini 4 Argon, enquanto a projeção otimista da Micron Technology impulsionava as ações de chips.
Para o investidor brasileiro, o episódio mostra que o rumo do Bitcoin segue atrelado ao custo do dinheiro nos Estados Unidos. Com os títulos longos americanos pagando os maiores juros em mais de duas décadas, a concorrência por capital fica mais dura para ativos sem rendimento, e a próxima leitura dos juros pesa tanto quanto qualquer notícia do setor.
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