Juro de 6% nos títulos americanos não é sentença para o bitcoin, e o motivo da alta faz toda a diferença
Investidores de bitcoin que acompanham com apreensão a escalada dos juros nos Estados Unidos ganharam um argumento para manter a calma. Em análise publicada em 29/09/2026 pelo CoinDesk, assinada por Omkar Godbole e editada por Jamie Crawley, a tese central é que o efeito sobre o bitcoin depende do motivo pelo qual os rendimentos sobem, e não apenas do nível que atingem.
O ponto de partida é o patamar atual. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano está em 5,23%, o mais alto desde 2007, após um avanço de 135 pontos-base desde o fim de 2023. Nesse mesmo período, o bitcoin praticamente dobrou de valor e era negociado a US$ 86 mil no momento da análise, abaixo do recorde acima de US$ 126 mil registrado em outubro.
A comparação com 2022 ajuda a explicar a diferença. Naquele ano, o rendimento de 10 anos mais que dobrou, para 3,88%, e o bitcoin despencou 64%, pressionado pelo aperto monetário do Federal Reserve e pelos problemas internos da indústria cripto. Ou seja, juros mais baixos do que os atuais coincidiram com um desempenho muito pior da criptomoeda.
Markus Thielen, fundador da 10x Research, resume a distinção: quando os juros sobem porque o Fed está apertando a política monetária, o bitcoin sofre; quando sobem por preocupações fiscais e de prêmio de prazo, o quadro se inverte. A Strategic Analytics acrescenta que o ouro, ativo com comportamento semelhante ao do bitcoin, tem acompanhado mais o risco fiscal do que a trajetória de juros do Fed desde 2022.
E por que os analistas veem espaço para os 6%? O CoinDesk lista os fatores: déficits federais em torno de 6% do PIB, dívida pública crescendo cerca de 8,5% ao ano desde 2020 e rendimentos de 10 anos ainda abaixo do crescimento nominal do PIB, de 5,24% contra 6,56%. Soma-se a isso a concorrência por capital de hiperescaladoras e empresas de tecnologia que estão captando recursos no mercado de títulos. Dan Niles, fundador da Niles Investment Management, citou os 6% como um alvo plausível em entrevista à CNBC.
A análise, no entanto, traz uma ressalva clara. O bitcoin pode sofrer se o Federal Reserve voltar a subir juros de forma acelerada, repetindo o cenário de 2022, em que o aperto monetário pressionou ao mesmo tempo os rendimentos e o valor dos criptoativos.
Para o investidor brasileiro, a discussão tem efeito indireto: juros mais altos nos Estados Unidos costumam fortalecer o dólar e afetar o fluxo para mercados emergentes, o que se reflete no câmbio e no preço do bitcoin em reais.
Para quem acompanha o mercado, a mensagem é olhar além do número. Mais importante do que saber se o juro de 10 anos chegará a 6% é entender o motor da alta: pressão fiscal e prêmio de prazo, segundo as fontes ouvidas pelo CoinDesk, tendem a ser menos hostis ao bitcoin do que uma nova rodada de aperto do Fed.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
Alta nos custos da indústria americana reacende debate sobre juros e pesa sobre o Bitcoin
Bitcoin · CryptoSlate
Block, de Jack Dorsey, aposta em publicidade na TV e no cinema para incentivar compras em Bitcoin
Bitcoin · Bitcoin Magazine
Citigroup eleva projeção para o Bitcoin a US$ 113 mil e passa a prever entradas bilionárias em ETFs
Bitcoin · Bitcoin.com News
Fundos de Bitcoin nos EUA recuperam terreno e ficam a US$ 5 bilhões do pico histórico de captação
Bitcoin · CryptoSlate
Juros em alta e pagamentos feitos por agentes de IA reforçam tese do Bitcoin como dinheiro, avalia editor
Bitcoin · CryptoSlate
Outubro começa com histórico favorável ao Bitcoin, mas juros americanos testam o otimismo
Bitcoin · Decrypt