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Jericoacoara vira laboratório de satoshis no Brasil com escola inspirada em El Salvador

Imagem de abertura da publicação em Bitcoin Magazine
Imagem reproduzida de Bitcoin Magazine. Autoria da imagem não identificada na fonte.

Jericoacoara, um dos destinos turísticos mais conhecidos do litoral cearense, virou palco de uma experiência de adoção do bitcoin inspirada em El Salvador. O projeto Bitcoin Beach Brasil, criado por Fernando Motolese, ganhou destaque em setembro de 2022 em artigo de opinião publicado pela Bitcoin Magazine e assinado por João, fundador do Boletim Bitcoin.

A referência vem de El Zonte, praia a cerca de uma hora de San Salvador. Ali nasceu o Bitcoin Beach original, depois de uma doação anônima à comunidade. A região virou um polo espontâneo de adoção, com comerciantes locais aceitando bitcoin, e a experiência ajudou a abrir caminho para a Lei Bitcoin salvadorenha, que entrou em vigor em 7 de setembro de 2021.

Foi exatamente nessa data que o projeto brasileiro começou. "O projeto surgiu em 7 de setembro de 2021. Vi o que estava acontecendo em El Zonte, que isso tinha dado origem à adoção do bitcoin por El Salvador", contou Motolese, que passou a replicar os esforços em Jericoacoara.

No início, o foco era convencer comerciantes a aceitar a criptomoeda. Com o tempo, a proposta mudou de direção. "Ajudamos os comerciantes a aceitar bitcoin como forma de pagamento, até evoluirmos para uma abordagem educacional para ajudá-los a aprender a poupar", explicou. O projeto disponibiliza em código aberto sua implementação da Lightning Network, a rede de pagamentos rápidos construída sobre o bitcoin.

Uma das ações mais visíveis aconteceu na escola municipal de Jericoacoara. O Bitcoin Beach Brasil distribuiu 408 carteiras de papel, cada uma com 1.000 satoshis, a menor fração do bitcoin, para estudantes e professores, além de produtos com a marca do projeto. Motolese relatou um detalhe que chamou sua atenção durante a visita: "A bibliotecária da escola me disse que os computadores da sala de informática estavam parados havia dois anos".

A iniciativa recebeu doação de 0,1 BTC do Bitcoin Beach salvadorenho, valor usado para financiar a ação na escola e a produção dos materiais, que foram pagos em bitcoin. Motolese também contou que está escrevendo um trabalho chamado "Bitcoin Standard Circular Economy", com a intenção de ajudar outras comunidades a reproduzir a experiência em diferentes partes do mundo.

Para o leitor brasileiro, a história mostra um lado pouco explorado do bitcoin no país: o uso comunitário e educativo, longe da especulação de preço. Em uma cidade movida pelo turismo, a ideia é criar um circuito em que moradores e comerciantes aprendam a receber, guardar e gastar a criptomoeda. Ao mesmo tempo, o próprio relato sobre computadores parados na escola expõe os limites desse tipo de iniciativa, que depende de infraestrutura básica e de acesso à tecnologia. Projetos semelhantes costumam ter alcance local e dependem da continuidade do engajamento da comunidade para durar além do entusiasmo inicial.

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Fonte: reportagem original publicada por Bitcoin Magazine. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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