Itaú recomenda até 3% em Bitcoin para investidores brasileiros a partir de 2026
Entre 1% e 3% da carteira: essa é a fatia de Bitcoin que a Itaú Asset Management passou a sugerir aos investidores a partir de 2026. A recomendação foi divulgada em dezembro de 2025 pela gestora do Itaú, maior banco privado do Brasil, dentro de suas orientações de investimento para o ano seguinte, e representa um sinal de aceitação do ativo por uma das instituições mais tradicionais do sistema financeiro nacional.
A justificativa apresentada pelo banco se apoia em dois argumentos. O primeiro é a "baixa correlação com muitos ativos tradicionais", característica que faz do Bitcoin um possível instrumento de diversificação. O segundo é a volatilidade da moeda brasileira, que torna atraente a exposição a um ativo cotado globalmente. Ainda assim, a gestora posiciona o Bitcoin como uma posição "satélite", e não como componente central do portfólio, o que explica o percentual reduzido.
O movimento foi destacado pelo portal Bitcoinist, em texto de Christian Encila. A reportagem lembra que a estrutura cripto regulada do Itaú administra cerca de R$ 850 milhões distribuídos em diferentes fundos e ETFs. A divisão de gestão de recursos do banco, como um todo, supera R$ 1 trilhão em ativos de clientes, o que dá dimensão ao alcance que uma recomendação desse tipo pode ter.
Um dos produtos do banco é o IT Now Bloomberg Galaxy Bitcoin ETF, negociado na bolsa brasileira sob o código BITI11 desde 10 de novembro de 2022. O fundo permite que o investidor tenha exposição ao Bitcoin sem precisar abrir conta em corretora de criptomoedas ou cuidar da custódia das chaves privadas. A área de criptoativos do Itaú foi reorganizada em setembro de 2025 e passou a ser liderada por João Marco Braga da Cunha, que antes trabalhava na gestora Hashdex.
No momento da publicação da reportagem, o Bitcoin era negociado a cerca de US$ 89.003. A recomendação veio, portanto, em um período em que o ativo oscilava abaixo das máximas históricas, o que reforça o tom conservador da orientação, voltada à construção gradual de posição e não a apostas concentradas.
Para o investidor brasileiro, a sinalização de um grande banco tem efeito prático e simbólico. Prático porque a sugestão tende a chegar aos assessores e gerentes que atendem clientes de perfil tradicional, aumentando a oferta de produtos regulados. Simbólico porque legitima o Bitcoin como classe de ativo dentro de carteiras diversificadas. Vale lembrar, porém, que a faixa de 1% a 3% reflete justamente a visão do banco sobre o risco elevado do ativo: trata-se de uma opinião da gestora, e cada investidor deve avaliar a própria tolerância a oscilações antes de seguir a orientação.
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