Itaú entra em piloto de tokenização da Anbima com títulos e fundos no Brasil
Maior banco do país em valor de mercado, o Itaú Unibanco anunciou em 11 de agosto de 2026 uma parceria com a OpenAssets para participar de um piloto de tokenização conduzido pela Anbima, a associação que reúne as instituições dos mercados financeiro e de capitais. O projeto envolve mais de 50 organizações financeiras e tem como meta testar a emissão, a negociação e a liquidação de títulos e fundos em formato tokenizado.
O escopo do piloto inclui títulos de renda fixa tokenizados, cotas de fundos de investimento e debêntures, instrumento de dívida corporativa muito comum no mercado brasileiro. A proposta é acompanhar todo o ciclo de vida desses ativos em redes de registro distribuído, da criação à liquidação, e não apenas uma etapa isolada do processo.
A OpenAssets é uma empresa de infraestrutura para ativos digitais que antes operava com o nome Pointsville e levantou US$ 10 milhões em 2025. Seu presidente do conselho e CEO, Gabor Gurbacs, disse que a iniciativa com o Itaú "foi desenhada para explorar como ativos tokenizados podem ser emitidos, liquidados e administrados dentro das estruturas e padrões que as instituições financeiras exigem". Na avaliação dele, o Brasil levou a tokenização "da exploração para a produção".
O peso do Itaú no movimento é considerável. Conforme a reportagem do crypto.news, o banco era o maior da América Latina em capitalização de mercado em 30 de abril, e a S&P Global o classificou como o maior credor da região por ativos, com mais de US$ 562 bilhões. O Itaú também já havia sido selecionado pelo Banco Central, em 2023, para o piloto do Drex, a plataforma digital da autoridade monetária.
O banco não está sozinho nesse caminho. A matéria lista Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, Banco do Brasil, Banco BV, BNDES, a B3 e o Mercado Bitcoin entre as instituições que desenvolvem capacidades em valores mobiliários tokenizados e sistemas baseados em blockchain. O texto cita ainda que a VERT Capital divulgou, em julho de 2025, planos de colocar até US$ 1 bilhão em dívidas e recebíveis na XDC Network, e que o Mercado Bitcoin planeja tokenizar US$ 200 milhões em renda fixa e ações na XRP Ledger. No mesmo mês de julho de 2025, produtores do Paraná chegaram a tokenizar vacas leiteiras.
No exterior, a comparação mais citada é a DTCC, que tem US$ 114 trilhões em valores mobiliários sob custódia e serviços na DTC. Em dezembro de 2025, a SEC emitiu uma carta de não objeção para um serviço dessa subsidiária, com lançamento completo previsto para outubro de 2026. O grupo de trabalho da DTCC reúne mais de 50 empresas, como BlackRock, JPMorgan e Goldman Sachs.
Para o investidor brasileiro, o piloto pode antecipar mudanças na forma de comprar renda fixa e fundos. Em tese, registrar esses ativos em blockchain pode simplificar etapas de registro e liquidação e facilitar o fracionamento, mas tudo isso ainda depende do resultado dos testes e das regras que os reguladores vierem a definir. Por enquanto, trata-se de um experimento em ambiente controlado, sem produtos abertos ao público.
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