Fundador da Promethum ataca ações tokenizadas sintéticas e defende modelo de gêmeo digital
Contra a expansão das ações tokenizadas sintéticas, o fundador da Promethum, Aaron Kaplan, publicou um artigo de opinião em que afirma que esses produtos prejudicam os investidores americanos e desperdiçam uma das maiores oportunidades já vistas pelo mercado de capitais dos Estados Unidos. O texto parte da disputa pública entre Adam Aron, presidente-executivo da rede de cinemas AMC, e Vlad Tenev, presidente-executivo da Robinhood.
Aron classificou como "vil" a criação, pela Robinhood, de versões tokenizadas das ações da AMC sem o consentimento da empresa. Tenev, por sua vez, defende que esse consentimento não é necessário e que o produto atende à demanda de investidores de outros países por exposição a ações americanas. No artigo publicado pelo CoinDesk, Kaplan explica que esses tokens são, na prática, títulos de dívida emitidos por uma subsidiária offshore da Robinhood. Eles acompanham o preço das ações, mas não dão ao comprador a propriedade do papel. No setor, esse formato é chamado de "wrapper", algo como uma embalagem em torno do ativo original.
O autor concorda com Tenev em um ponto: existe uma lacuna real. Segundo o próprio executivo da Robinhood, mais de 340 milhões de investidores fora dos Estados Unidos não têm acesso barato às bolsas americanas. Para Kaplan, atender esse público representa "a maior oportunidade que os mercados americanos tiveram em mais de cinquenta anos". O problema, na visão dele, está na forma escolhida para aproveitá-la.
Depois da compra inicial das ações que servem de lastro, toda a negociação passa a acontecer fora do país. Kaplan chama isso de demanda de investidores mal direcionada, porque o interesse estrangeiro não se traduz em aumento genuíno do valor de mercado das empresas listadas. Ele lembra que quase 200 companhias americanas já foram tokenizadas dessa maneira e cita a projeção do Citi de que o mercado de ativos tokenizados chegue a US$ 2,7 trilhões até 2030. Com números dessa escala, argumenta, o custo de oportunidade se acumula rapidamente.
O articulista também destaca a posição do regulador. Em 17 de setembro, a SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, apresentou uma isenção voltada à inovação que deixa de fora, de forma explícita, os tokens sintéticos. O presidente da agência, Paul Atkins, afirmou que os tokens elegíveis "devem oferecer aos detentores os mesmos direitos e privilégios dos valores mobiliários tradicionais", o que inclui dividendos e direito de voto.
Como alternativa, Kaplan defende o modelo de gêmeo digital da Depository Trust Company, a central depositária americana. Nesse desenho, "o token e o valor mobiliário tradicional são um único ativo em duas formas", e as ações permanecem dentro do sistema nacional de compensação, ao mesmo tempo em que investidores estrangeiros passam a ter propriedade de fato.
Na conclusão, o fundador da Promethum sustenta que a tokenização deveria estender a propriedade plena a milhões de novos investidores, em vez de permitir que intermediários fiquem com a atividade de negociação e as taxas. O texto expressa a opinião do autor e não uma decisão regulatória, mas ajuda a entender o debate sobre como investidores de fora dos Estados Unidos, grupo que inclui os brasileiros interessados em ações americanas, poderão acessar esses papéis por meio da blockchain.
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