Itaú aposta em mineração de bitcoin com investimento na brasileira Minter
Itaú Unibanco, o maior banco do país, decidiu entrar no universo da mineração de bitcoin. Em abril de 2026, a instituição fez, por meio de seu braço de capital de risco, o Itaú Ventures, um investimento na Minter, empresa que instala centros de dados móveis e operações de mineração de bitcoin. O valor não foi divulgado oficialmente de início, mas a reportagem do Bitcoin.com News aponta um aporte de até US$ 10 milhões.
A proposta da Minter é aproveitar energia que hoje se perde. A empresa instala centros de dados em contêineres dentro de usinas de energia renovável, capturando a produção solar e eólica que seria desperdiçada. Esse fenômeno, conhecido como curtailment, ocorre quando a rede elétrica não consegue absorver toda a energia gerada e os operadores são obrigados a reduzir a produção.
O problema tem dimensão relevante no Brasil. Em 2025, o país cortou 20% da produção solar e eólica, o que resultou em perdas de US$ 1,2 bilhão. A comparação com os Estados Unidos mostra que o desafio é global: lá, o volume de energia cortada chegou a 20 milhões de MWh em 2024. Para as geradoras, cada megawatt não aproveitado representa receita perdida.
O presidente-executivo da Minter, Stefano Sergole, destacou o peso da chancela do banco. "O selo do Itaú ajuda a incentivar os geradores de energia a se sentirem confortáveis em abrir a mente para o fato de que um centro de dados flexível dentro dos parques pode ser uma estratégia de portfólio", afirmou. A avaliação dele é que a presença de um grande banco reduz a desconfiança do setor elétrico em relação à mineração.
Os planos da empresa são ambiciosos. Hoje, a Minter atende um único cliente, mas projeta alcançar 40 MW de capacidade até o fim de 2026 e 500 MW até 2029, com expansão prevista no Brasil e nos Estados Unidos. Essas metas são projeções da própria companhia e dependem de novos contratos com geradoras.
Para o leitor brasileiro, o movimento é significativo por dois motivos. O primeiro é ver um banco tradicional do porte do Itaú associando seu nome à mineração de bitcoin, atividade que por muito tempo foi vista com cautela pelo sistema financeiro. O segundo é a possibilidade de transformar um problema real do setor elétrico, o desperdício de energia renovável, em fonte de receita.
Se o modelo se provar viável, usinas solares e eólicas poderão ganhar uma alternativa para monetizar a energia excedente, o que pode melhorar a rentabilidade de projetos renováveis no país. Ao mesmo tempo, o sucesso depende do preço do bitcoin e da capacidade da Minter de escalar a operação conforme o planejado.
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