HANetf lança na Europa ETCs de Bitcoin com proteção cambial contra o dólar
Investidores europeus ganharam uma nova forma de se expor ao Bitcoin sem carregar, junto, as oscilações do dólar americano frente às suas moedas locais. A plataforma de gestão de ativos HANetf, sediada em Londres, colocou em negociação produtos do tipo ETC com proteção cambial para a libra esterlina e para o euro, uma estrutura até então inédita no segmento de criptomoedas.
São dois produtos. O Arrow Bitcoin GBP Hedged ETC, de código GBTC, é negociado na Bolsa de Londres e oferece exposição ao Bitcoin com proteção em libras. A versão com proteção em euro, de código EBTC, está listada na Xetra, em Frankfurt, e na Euronext Paris. Nos dois casos, o mecanismo de proteção cambial é fornecido pelo banco HSBC.
Em reportagem da CoinDesk publicada nesta quarta-feira (30), a HANetf apresentou os lançamentos como pioneiros. "Estes são os primeiros ETCs de cripto com proteção cambial do mundo, levando uma nova estrutura com hedge de moeda ao mercado europeu de ETCs de cripto", afirmou a empresa. A justificativa parte de uma característica do próprio Bitcoin: a criptomoeda é cotada universalmente em dólar, o que expõe quem investe em outra moeda a dois riscos ao mesmo tempo.
Na prática, um investidor que compra Bitcoin com euros está sujeito à variação do preço da criptomoeda e também à variação do dólar frente ao euro. Se o Bitcoin ficar estável em dólares, mas o dólar perder valor, o resultado medido em euros será negativo. A proteção cambial busca neutralizar esse segundo efeito, para que o retorno do investidor reflita principalmente o desempenho do Bitcoin.
A HANetf se apoia em um modelo que já existe no mercado de ouro. Segundo a reportagem, os ETCs de ouro com proteção cambial somam cerca de US$ 23 bilhões em ativos, o equivalente a aproximadamente 13% do mercado europeu de ETCs de ouro. A própria HANetf já oferece versões de ouro com proteção em euro, libra e franco suíço, o que indica que a empresa transporta para o Bitcoin uma estrutura conhecida por parte de seus clientes.
O formato de ETC também tem explicação regulatória. Na União Europeia e no Reino Unido, as regras exigem que ETFs tenham carteiras diversificadas, o que torna o ETC a estrutura adequada para oferecer exposição a um único ativo, como uma commodity ou uma criptomoeda. O público-alvo, segundo a empresa, são investidores de longo prazo preocupados com uma possível fraqueza do dólar e que preferem veículos tradicionais, sem a responsabilidade de guardar as moedas diretamente.
Para o leitor brasileiro, a lógica é familiar. Quem compra Bitcoin em reais também carrega, de forma embutida, a variação do dólar, já que a cotação de referência da criptomoeda é em moeda americana. Em momentos de real forte, parte da alta do Bitcoin pode ser anulada pelo câmbio, e o contrário acontece quando o dólar sobe. A iniciativa europeia mostra que essa dupla exposição começa a ser tratada como um risco à parte por gestoras de produtos regulados.
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