Governo salvadorenho chama de notícia falsa suposta guinada às stablecoins e mantém compras de Bitcoin
El Salvador negou que esteja abandonando o Bitcoin em favor das stablecoins. O Escritório Nacional do Bitcoin (ONBTC), órgão do governo salvadorenho dedicado à criptomoeda, classificou como "fake news" as informações de que o país estaria mudando de rumo e afirmou que não tem planos de lançar ou operar qualquer carteira de bitcoin, criptomoedas ou stablecoins.
A reação veio depois de uma reportagem da Bloomberg publicada na terça-feira (29). O texto afirmava que El Salvador estaria se afastando discretamente de sua principal iniciativa com criptomoedas e se voltando às stablecoins, moedas digitais lastreadas em moeda fiduciária. Segundo a Bloomberg, a falta de adoção do Bitcoin no dia a dia, somada à economia já dolarizada do país e à influência crescente da Tether, teria levado o governo a rever a estratégia.
Na resposta, o ONBTC disse que "não tem planos de lançar ou operar nenhuma carteira de bitcoin, cripto ou stablecoin". O escritório acrescentou que, "com a recente venda da Chivo Wallet a um operador privado, todo o envolvimento do Estado foi oficialmente encerrado". A Chivo era a carteira digital administrada pelo Estado e se tornou um dos símbolos da política de adoção do Bitcoin no país.
O pano de fundo da polêmica é o Sivar, novo aplicativo de pagamentos e comunidade lançado pelo governo do presidente Nayib Bukele em parceria com a Modveon. O serviço oferece contas com identidade verificada e cobra tarifa fixa de US$ 2 por transferência dos Estados Unidos para El Salvador, independentemente do valor enviado. O aplicativo funciona sobre a Base, rede de segunda camada do Ethereum criada pela Coinbase, e liquida as operações em stablecoins, detalhe que críticos interpretaram como sinal de uma mudança de foco.
Enquanto o debate avança, a reserva soberana segue crescendo. De acordo com reportagem do Bitcoin.com News, El Salvador comprou 30 bitcoins nos últimos 30 dias e passou a deter 7.790 unidades. Com a criptomoeda perto de US$ 84.000, a posição vale mais de US$ 652 milhões. O país está perto de completar cinco anos desde que declarou o Bitcoin moeda de curso legal.
A sequência de compras pesa contra a tese de abandono. Mesmo com o uso de stablecoins em um aplicativo de remessas, o governo continua acumulando Bitcoin em seu caixa, e o escritório oficial fez questão de separar as duas frentes ao negar qualquer plano de carteira estatal.
Para o leitor brasileiro, o caso ajuda a entender como a primeira experiência de um país com o Bitcoin como moeda oficial vem se transformando. As remessas, tema central do Sivar, também têm peso em várias economias latino-americanas, e a disputa entre Bitcoin e stablecoins como meio de pagamento segue no centro do debate sobre criptomoedas na região.
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