Europeus ganham fundo de bitcoin protegido contra o câmbio: HANetf lança produto inédito com hedge em euro
Quem investe em bitcoin a partir da Europa enfrenta dois riscos ao mesmo tempo: a oscilação da própria criptomoeda e a variação do câmbio entre o dólar e o euro. É esse segundo problema que a HANetf, gestora de ETFs com US$ 9,2 bilhões sob gestão, quer resolver com o lançamento do Arrow Bitcoin EUR Hedged ETF, apresentado como o primeiro fundo de bitcoin do mundo com proteção cambial em euro, segundo a Bitcoin Magazine.
O produto é estruturado como um ETC, sigla em inglês para commodity negociada em bolsa, formato comum no mercado europeu para ativos que não se encaixam nas regras tradicionais de fundos. A novidade está no mecanismo de hedge, que busca isolar o desempenho do bitcoin das variações do par dólar e euro.
A lógica é simples. Como o bitcoin é cotado em dólares, um investidor europeu pode ganhar com a alta da criptomoeda e, ao mesmo tempo, perder parte desse ganho se o dólar se desvalorizar frente ao euro. O contrário também acontece. Com a proteção, o retorno do investidor passa a refletir de forma mais direta o movimento do preço do bitcoin.
De acordo com a reportagem, o hedge é fornecido pelo HSBC por meio de contratos a termo. Nessas operações, valores em dólar são vendidos em troca de euros a uma taxa fixa, com liquidação em data futura. Os contratos costumam ser renovados mensalmente, prática comum em fundos com proteção cambial.
Hector McNeil, cofundador e co-CEO da HANetf, resumiu a proposta ao afirmar que, com o lançamento, a empresa está levando "a lógica já estabelecida dos ETFs com hedge em euro para o mercado cripto". Fundos com proteção cambial são amplamente usados na Europa para ações e títulos estrangeiros, mas até agora não existiam para o bitcoin.
A Bitcoin Magazine lembra que o lançamento ocorre em um momento de forte crescimento dos produtos regulados de bitcoin. Nos Estados Unidos, os ETFs à vista aprovados pela SEC em 2024 tiveram desempenho expressivo, e os produtos de gestoras como BlackRock, Fidelity e Morgan Stanley somam US$ 111,1 bilhões em ativos. A iniciativa da HANetf indica que a concorrência começa a se deslocar para a sofisticação dos produtos, e não apenas para a oferta de exposição simples.
O produto é voltado ao investidor europeu, mas a discussão é familiar para o brasileiro. Quem compra bitcoin por aqui também carrega uma exposição dupla, ao preço da criptomoeda e à cotação do dólar em reais. Em momentos de real valorizado, parte do ganho em dólar se dilui na conversão. A existência de estruturas como essa mostra que o mercado começa a tratar o risco cambial como um componente separado, que pode ser administrado.
Para quem acompanha o setor, o lançamento sinaliza um amadurecimento na forma como o bitcoin é empacotado para investidores tradicionais. Ferramentas de gestão de risco que já são padrão em outras classes de ativos estão chegando aos criptoativos, o que tende a ampliar o público interessado e a aproximar o bitcoin da lógica das carteiras institucionais.
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