ETF de bitcoin da BlackRock chega à B3 como BDR e amplia opções para investidores brasileiros
Investidores qualificados passaram a ter acesso ao fundo de bitcoin à vista da BlackRock na bolsa brasileira a partir da sexta-feira, 1º de março de 2024. O produto, negociado com o código IBIT39, foi estruturado como um certificado de depósito, o BDR, listado na B3, e dá exposição ao iShares Bitcoin Trust, o ETF da gestora nos Estados Unidos. A informação foi antecipada na véspera, em 29 de fevereiro de 2024, pela Bitcoin Magazine, que citou o InfoMoney como fonte.
A abertura será feita em etapas. Inicialmente, apenas investidores qualificados podem comprar o IBIT39, e a expectativa divulgada era de liberar o acesso ao varejo em algumas semanas. A taxa de administração foi fixada em 0,25% ao ano, com isenção durante o primeiro ano, e cai para 0,12% quando o fundo atingir US$ 5 bilhões em patrimônio.
A presidente da BlackRock no Brasil, Karina Saade, apresentou o lançamento como parte da estratégia da gestora para ativos digitais. "Nossa trajetória em ativos digitais tem sido sustentada pelo objetivo de oferecer veículos de acesso de alta qualidade aos investidores", afirmou. Ela também fez questão de separar o produto de qualquer aposta no ativo: "Nosso objetivo é atender nossos clientes com produtos seguros e transparentes. Não temos recomendação nem expectativa em relação ao bitcoin em si".
A chegada ao país ocorre no embalo do desempenho nos Estados Unidos. Os ETFs de bitcoin à vista foram liberados pelos reguladores norte-americanos em janeiro de 2024, e o fundo da BlackRock se tornou o mais procurado da categoria, acumulando mais de US$ 9 bilhões em ativos desde o lançamento. Pouco antes da publicação da reportagem, o fundo havia registrado entrada de US$ 612 milhões em um único dia.
Para o investidor brasileiro, o IBIT39 oferece uma forma de se expor ao bitcoin pela conta da corretora, sem precisar abrir conta no exterior nem lidar com carteiras digitais e chaves privadas. Como se trata de um BDR de um fundo negociado em dólar, o resultado em reais depende tanto da variação do bitcoin quanto do câmbio, o que pode ampliar ou reduzir ganhos e perdas.
A estrutura também difere dos ETFs de cripto listados diretamente no país. No BDR, o investidor detém um recibo lastreado em cotas do fundo norte-americano, e a liquidez depende do mercado formado na B3. A restrição inicial aos qualificados, somada à promessa de acesso ao varejo em seguida, indica que a gestora optou por uma entrada gradual no mercado local. A fala de Saade reforça que o lançamento responde à demanda por acesso, e não a uma recomendação de compra, algo que o investidor deve ter em mente ao avaliar a volatilidade do ativo.
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