De 1% para até 40%: Ric Edelman muda de postura e prevê bitcoin a US$ 500 mil em 2030
Poucos consultores financeiros americanos mudaram de ideia sobre o bitcoin de forma tão radical quanto um dos nomes mais conhecidos do setor. Ric Edelman, fundador da Edelman Financial Engines, defendeu na Bitcoin Treasuries Conference, realizada em Manhattan em 28 de setembro de 2026, que investidores tenham entre 10% e 40% da carteira em bitcoin. A posição foi relatada pelo Bitcoin.com News, em texto de Emmanuel Musa publicado em 29/09/2026.
A proposta segue o perfil de risco de cada investidor: 10% para conservadores, 25% para carteiras moderadas e 40% para os mais agressivos. É uma virada expressiva para quem, antes, sugeria alocação de apenas 1% na criptomoeda. Segundo Edelman, uma fatia tão pequena é irrelevante demais para compensar o esforço de educação dos clientes, a volatilidade e o risco de reputação que os consultores enfrentam. Com 10% ou mais, na visão dele, o bitcoin se torna mais difícil de ignorar.
Edelman também atacou a tradicional divisão de carteira entre 60% em ações e 40% em títulos. Para ele, o modelo 60/40 está quebrado. A justificativa é a longevidade: como as pessoas vivem mais, precisam de exposição a ativos de crescimento por períodos mais longos. Ele ainda classificou o bitcoin como a classe de ativos de melhor desempenho desde a sua criação.
No campo das projeções, Edelman estima que o bitcoin pode chegar a US$ 500.000 até 2030. Ele também sugere que, se 2% dos ativos globais fossem alocados na criptomoeda, o preço poderia chegar a US$ 1 milhão por unidade. Para comparação, o Bitcoin.com News lembra que a máxima histórica ficou acima de US$ 126.000 em outubro de 2025, e que a cotação estava em torno de US$ 83.000 no momento da publicação.
A fala repercutiu na comunidade cripto. Richard Byworth, da BYZ Partners, descreveu Edelman como um alocador extremamente confiável. Mike Alfred, da Alpine Fox LP, observou que a chamada janela de Overton, o conjunto de ideias consideradas aceitáveis, mudou desde as conversas que teve com Edelman em 2016 e 2017. David Gokhshtein afirmou que o bitcoin a US$ 1 milhão poderia vir em alguns anos, e o perfil The Bitcoin Therapist sugeriu que até 1% da alocação global poderia sustentar um preço de US$ 500.000.
O próprio Bitcoin.com News faz a ressalva de que essas projeções continuam altamente especulativas. Elas dependem de adoção institucional contínua, de entrada de capital e da manutenção do papel do bitcoin como ativo escasso em escala global. A publicação interpreta a mudança de Edelman como um indício de que consultores tradicionais começam a ver o bitcoin menos como aposta periférica e mais como possível parte central da carteira.
Para o investidor brasileiro, a discussão ajuda a entender como grandes gestores estrangeiros estão repensando o peso das criptomoedas no portfólio, mas as porcentagens citadas são opinião de Edelman e não levam em conta a realidade de cada pessoa.
Para quem acompanha o mercado, o episódio mostra o avanço do bitcoin no discurso de consultores estabelecidos. Ainda assim, alocações e preços-alvo são avaliações individuais, e a volatilidade da criptomoeda continua sendo um fator central em qualquer decisão.
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