Com quase US$ 3 bilhões em sete pregões, ETFs de bitcoin apagam saídas e voltam ao azul em 2026
Investidores voltaram a colocar dinheiro nos ETFs de bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos, e o saldo de 2026 finalmente ficou positivo. Segundo o Decrypt, os fundos receberam US$ 134,5 milhões na sexta-feira e completaram sete dias seguidos de entradas, uma sequência iniciada em 17 de setembro que somou cerca de US$ 2,98 bilhões.
O melhor dia desse período foi 21 de setembro, quando os produtos captaram quase US$ 1 bilhão. A recuperação chama atenção porque veio logo depois de um momento ruim. Em 15 de setembro, os ETFs registraram saída de US$ 450,4 milhões, o pior resultado desde junho, e no dia seguinte perderam outros US$ 295,9 milhões. As entradas posteriores superaram essas perdas em aproximadamente quatro vezes.
De acordo com a reportagem, o tombo de meados de setembro foi provocado pelo fracasso de uma votação de encerramento de debate (cloture) no Senado americano sobre o Clarity Act, projeto de lei ligado à regulação do setor. A virada começou pouco depois desse revés.
No acumulado do ano, os dados da Farside Investors mostram entradas líquidas de US$ 886,8 milhões até quinta-feira, 25 de setembro. Isso representa uma virada de US$ 6,6 bilhões em relação a julho, quando o saldo anual estava negativo em US$ 5,69 bilhões. A Bloomberg, com metodologia própria, registrava cerca de US$ 320 milhões em fluxos acumulados em 2026.
O preço ajuda a explicar a mudança de humor. Segundo o analista da Bloomberg James Seyffart, citado pelo Decrypt, o custo médio de aquisição dos investidores em ETFs de bitcoin é de US$ 81.722. A moeda superou esse patamar em 21 de setembro, o que colocou o investidor médio desses fundos de volta no lucro. No momento da publicação, o bitcoin era negociado perto de US$ 84.020.
Desde o lançamento, os ETFs de bitcoin à vista já acumulam US$ 58,0 bilhões em entradas líquidas e somam US$ 108,42 bilhões em ativos. Como referência, 2025 terminou com US$ 21,35 bilhões em captação, número bem acima do registrado até agora neste ano.
O movimento importa porque os ETFs se tornaram uma das principais portas de entrada do capital institucional e de investidores tradicionais no bitcoin. Sequências longas de entradas costumam ser lidas como sinal de demanda consistente, enquanto saídas fortes, como as de meados de setembro, mostram como o fluxo reage a notícias regulatórias.
Para quem acompanha o mercado, a volta ao azul em 2026 indica que a demanda institucional se recuperou depois de meses fracos, mas ainda está longe do ritmo do ano passado. O investidor brasileiro, que tem acesso a ETFs de cripto na B3 e a fundos no exterior, pode usar esses fluxos como termômetro do apetite de grandes investidores, sem perder de vista que o cenário regulatório americano segue influenciando o humor dos aportes.
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