Com alta de 40% no trimestre e ouro em queda, padrão gráfico coloca os US$ 100 mil no radar do bitcoin
Depois de um trimestre em que subiu mais de 40%, o bitcoin deixou para trás o ouro, o S&P 500 e outros grandes ativos, e agora um padrão gráfico clássico reacendeu as discussões sobre uma possível arrancada até US$ 100 mil. A análise é do CoinDesk, em texto publicado em 29/09/2026 por Omkar Godbole, com edição de Jamie Crawley.
A resistência do bitcoin ficou evidente na segunda-feira. Enquanto o ouro recuou quase 4% com os rendimentos dos títulos de prazo mais longo do Tesouro americano atingindo os níveis mais altos desde 2007, o bitcoin perdeu apenas cerca de 1%. A criptomoeda chegou a cair brevemente para US$ 82.500, mas se recuperou para a região de US$ 84 mil. No momento da atualização da reportagem, a cotação estava em US$ 83.189,97, alta de 0,80%. O índice do dólar, o DXY, subiu 2,7% desde 9 de setembro, de 98,78 para quase 101,50.
O argumento técnico vem de Jurrien Timmer, diretor de macro global da Fidelity Investments. Segundo ele, o bitcoin parece particularmente interessante ao desafiar uma resistência importante em US$ 80 mil, e, caso rompa esse nível, confirmaria um fundo duplo com objetivo em US$ 100 mil. O padrão descrito pelo CoinDesk é formado pelas duas mínimas anuais, de US$ 60.033 e US$ 57.742, separadas por um pico intermediário perto de US$ 82.800.
O mercado de opções também mostra apostas em preços mais altos. Na Deribit, o contrato de compra com preço de exercício de US$ 90 mil é o mais popular, com US$ 2,45 bilhões em contratos em aberto. Na sequência aparecem as opções de compra de US$ 95 mil, com US$ 2,33 bilhões, e de US$ 100 mil, com US$ 1,79 bilhão.
Há ainda um componente sazonal. De acordo com o CoinDesk, desde 2013 todo agosto positivo foi seguido por um setembro negativo. Com dois dias de calendário restantes, um fechamento positivo romperia essa sequência e marcaria o terceiro mês consecutivo de ganhos, de julho a setembro.
A própria reportagem, porém, faz uma ressalva importante: padrões gráficos não são garantia de nada e rompimentos frequentemente fracassam. A leitura de Timmer, portanto, deve ser entendida como uma possibilidade técnica, e não como uma previsão segura.
Para o investidor brasileiro, o comportamento do dólar merece atenção: a valorização do DXY costuma se refletir no câmbio, e quem compra bitcoin em reais sente ao mesmo tempo a variação da criptomoeda e a da moeda americana.
Para quem acompanha o mercado, o quadro combina força relativa, já que o bitcoin segurou melhor que o ouro em um dia de estresse nos juros, com um posicionamento em opções concentrado acima dos preços atuais. A confirmação do rompimento acima da região de US$ 80 mil a US$ 82.800 é o ponto que os analistas vão observar para validar ou descartar o cenário de US$ 100 mil.
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