Cofres na Solana e na Hyperliquid dão vantagem na disputa por novos domínios da internet
Durante a Korea Blockchain Week, em 28 de setembro de 2026, a D3, principal desenvolvedora do Doma Protocol, apresentou o Frontier, um programa que mistura finanças descentralizadas e registro de domínios. A proposta é permitir que usuários depositem ativos elegíveis em cofres de criptomoedas para acumular pontos e, com eles, conseguir prioridade na obtenção de novos nomes de domínio antes da abertura ao público geral.
O programa começou com dois cofres. Na rede Solana, o parceiro é a Loopscale. Na Hyperliquid, o cofre é operado pela Hyperion DeFi em conjunto com a Upshift. A D3 informou que pretende adicionar cofres em outras blockchains nos próximos meses.
O funcionamento segue algumas etapas. Primeiro, o participante deposita os ativos aceitos em um dos provedores de cofre e passa a receber os chamados Frontier Points. Depois, compromete esses pontos para garantir prioridade em nomes oferecidos pelos registros de domínio que aderiram ao programa. A empresa faz questão de frisar que prioridade não equivale a propriedade do domínio. Cada registro define seu próprio calendário e suas próprias regras de elegibilidade.
Segundo a reportagem, mais de 20 candidatos e registros já se comprometeram com a iniciativa antes do chamado Reveal Day da ICANN, a entidade internacional que coordena o sistema de nomes de domínio da internet. Nessa data, a organização vai divulgar a lista completa e verificada de pedidos de novas extensões.
Os números da rodada atual ajudam a dimensionar o interesse. Os candidatos enviaram 1.663 pedidos até o fechamento da janela de inscrição, em 12 de agosto, e a ICANN confirmou que 1.616 deles cumpriram os requisitos de pagamento. Na rodada anterior, realizada em 2012, o processo resultou em mais de 1.200 novas extensões, como as que hoje aparecem no lugar do tradicional .com.
A D3 citou algumas extensões possíveis, como .agent, .wallet, .sol, .robot e .hype, mas ressaltou que a relação oficial só será conhecida no Reveal Day. Antes que qualquer nova extensão passe a funcionar no sistema padrão de domínios, a ICANN ainda precisa concluir sua análise, resolver eventuais objeções e decidir entre pedidos concorrentes para o mesmo nome.
A empresa por trás do Frontier tem apoio de investidores de peso. Em janeiro de 2025, a D3 levantou US$ 25 milhões em uma rodada Série A liderada pela Paradigm, com participação da Coinbase Ventures.
Outros projetos ligados ao universo cripto também estão de olho na rodada. A Unstoppable Domains desistiu, em agosto de 2026, de nove pedidos de extensões voltadas à Web3, alegando custos de conformidade e de leilão acima do esperado. Já o Telegram se candidatou à extensão .gram.
Para o leitor brasileiro, a iniciativa mostra como protocolos cripto estão tentando conectar ativos digitais a serviços da internet tradicional. Quem pensa em participar deve lembrar que depositar recursos em cofres envolve riscos próprios das finanças descentralizadas e que os pontos acumulados garantem apenas prioridade, sem assegurar a posse de nenhum endereço.
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